Simulador de terremoto mostra como olhos e ouvidos mantêm equilíbrio

Sistema visual e do ouvido médio devem trabalhar juntos para nos dar uma melhor sensação de equilíbrio durante qualquer movimento.

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29 Junho 2010 | 14h19

Problemas de equilíbrio podem ser resultado de uma relação conflituosa entre dois sistemas do corpo. Crédito: Wikipedia.

Problemas de equilíbrio podem ser resultado de uma relação conflituosa entre dois sistemas do corpo. Crédito: Wikipedia.

A área de recursos humanos da sua empresa sabe bem: para uma equipe ser bem sucedida, todos os membros devem cooperar. Da mesma maneira, o nosso sistema visual e do ouvido médio trabalham juntos para nos dar uma melhor sensação de equilíbrio. É o que mostram pesquisadores da Universidade Nacional Australiana, esperançosos de que o conhecimento possa levar ao desenvolvimento de novas terapias para doenças que afetam o movimento de milhões de pessoas no mundo.

“Quando nos movemos, dois sistemas sensoriais são ativados: o sistema visual e vestibular (orelha média)”, explica Mark Edwards, um dos responsáveis pelo trabalho. Ele explica que as imagens captadas por nossos olhos, submetidas aos chamados padrões de fluxo óptico, indicam o tipo de movimento que estamos fazendo.

O sistema vestibular é composto por canais cheios de líquido no ouvido interno, que responde à inércia produzida pela mudança de velocidade ou direção durante um movimento. Problemas em um dos sistemas ou na interação dos mesmos poderiam levar a doenças de movimento, em que a pessoa é incapaz de processar corretamente a informação captada pelos olhos.


“O senso de equilíbrio vem de ambos os olhos e nosso sistema vestibular que trabalham em conjunto, mas nunca foi demonstrado previamente que os dois são funcionam conectados em seres humanos”, ressalta Edwards. Para chegar aos resultados, a equipe usou um instrumento chamado “máquina do terremoto”, que simula o efeito de um abalo sísmico. Os pesquisadores mediram a sensibilidade de voluntários para os padrões de fluxo óptico durante o movimento.

Os resultados mostram que a capacidade do sistema visual e da orelha interna trabalhando juntos tem maior relevância em situações em que ambos os sinais são relativamente fracos. Por exemplo: quando estes sinais são produzidos pela oscilação do corpo, mantendo o equilíbrio. Isso poderia determinar o enjoo em pessoas que estão viajando em um barco.

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