Sinal similar à insulina pode prolongar vida de células-tronco no cérebro

Combinada com manipulação da morte celular programada, técnica faz com que células-tronco neurais "sobrevivam" por mais tempo.

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26 Março 2010 | 18h03

Corpos de cogumelo de moscas, equivalentes ao hipocampo de um cérebro humano. Normalmente, novos neurônios não aparecem nesta região na fase adulta. Mas os pesquisadores conseguiram induzir a produção de células nervosas (verde) que enviam axônios para outras áreas, como neurônios normais. Crédito: Sarah Siegrist / UC Berkeley.

Corpos de cogumelo de moscas, equivalentes ao hipocampo de um cérebro humano. Normalmente, novos neurônios não aparecem nesta região na fase adulta. Mas os pesquisadores conseguiram induzir a produção de células nervosas (verde) que enviam axônios para outras áreas, como neurônios normais. Crédito: Sarah Siegrist / UC Berkeley.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia-Berkeley, EUA, descobriram que um sinal similar à insulina pode proporcionar um tempo de vida maior para as células-tronco nos cérebros de um adulto se combinada com a manipulação da morte celular programada. As experiências, realizadas em moscas de frutas, sugerem que possa haver uma forma de “semear” células em regiões cerebrais danificadas.

Manter o receptor de insulina acelerado no cérebro previne a morte das células-tronco, situação normal do organismo quando o cérebro passa a assumir sua forma adulta. “Esse trabalho não mostra o caminho para que um adulto retome células-tronco já perdidas misteriosamente, mas sugere que mecanismos possam estar operando para se livrar delas”, explica Iswar Hariharan, envolvido no estudo.  

Genes da morte


Embora fosse possível prolongar a vida de células-tronco ao bloquear alguns genes que causam a sua morte, a técnica por si só não seria capaz de garantir um bom ‘fornecimento’ de células-tronco saudáveis que se tornassem neurônios maduros saudáveis também. Para que isso ocorresse, um sinal do tipo insulina era necessário.

Em outras experiências, os pesquisadores focaram na prevenção da morte das células-tronco neurais em moscas de frutas bloqueando um processo chamado apoptose (a morte celular programada). Mas, permitindo que as células-tronco vivessem mais, viram que se tornavam menores e não produziram muitos neurônios. Na verdade, as células mostraram sinais de crescimento prejudicado, provavelmente pela retirada da insulina.

Toma lá, dá cá

Então, várias manipulações genéticas foram testadas para imitar a sinalização similar à insulina, desta vez usando moscas de frutas mutantes, com genes de apoptose bloqueados também. O resultado foi que as células-tronco neurais persistiram por pelo menos um mês e, mais do que tudo, geraram muitas células adultas aparentemente normais.

“Essas células-tronco neurais parecem se comportar apropriadamente, elas expressam as proteínas que células-tronco devem expressar, elas se parecem com células normais do mesmo tipo”, explica a pesquisadora Sarah Siegrist. “Não sabemos se essas células funcionam normalmente e se são eletronicamente ativas. Ao menos é encorajador que nós possamos ter células nervosas feitas em uma parte do cérebro que normalmente não são feitas num cérebro adulto”.

Para alcançar os resultados desejados, os pesquisadores tiveram que usar duas manipulações juntas: manter o sinal similar à insulina ativado e bloquear a morte celular programada. Cada uma ajudou de uma maneira, mas atuando ao mesmo tempo conseguiram fazer com que as céluas-tronco sobrevivessem por um mês – tempo em que outros organismos levariam para se livrar de neurônios.

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