Sistema de pâncreas artificial pode controlar riscos de hipoglicemia

Monitor contínuo e bomba de insulina combinados podem controlar o organismo à noite, diminuindo riscos de queda drástica de glicose no sangue.

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08 Fevereiro 2010 | 00h23

Sistema controla níveis de glicose e insulina a ser liberada no sangue do paciente. Crédito: University of Cambridge.

Sistema controla níveis de glicose e insulina a ser liberada no sangue do paciente. Crédito: University of Cambridge.

Cientistas da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha, deram um passo significativo para a criação de um pâncreas artificial, que ajudaria crianças com diabetes tipo 1. Um novo estudo – financiado pela Fundação de Pesquisa do Diabetes Juvenil – mostra que a utilização de um sistema de pâncreas artificial durante a noite pode reduzir significativamente o risco de hipoglicemia (quando os níveis de glicose no sangue podem cair de forma perigosamente significativa enquanto o diabético dorme).

O sistema de pâncreas artificial combina um monitor contínuo de glicose e uma bomba de insulina – os dois já existentes no mercado – e usa um algoritmo sofisticado para calcular a quantidade adequada de insulina a ser liberada com base na leitura em tempo real dos índices no sangue. O controle durante a noite pode diminuir a necessidade de múltiplos testes de picada no dedo e injeções diárias de insulina.

Para o estudo, os pesquisadores observaram a utilização do sistema em 17 crianças e adolescentes com idades entre cinco e 18 anos e diabetes tipo 1 durante 54 noites no Hospital Addenbrooke. A equipe analisou quão preciso o “pâncreas artificial” controlou os níveis de glicose, comparando à bomba de infusão de insulina subcutânea contínua, que oferece taxas preestabelecidas de insulina.

A pesquisa também incluiu a observação noturna de crianças que foram dormir após comer uma refeição pesada ou que se submeteram a exercícios físicos à noite. Em ambos os casos, o organismo do diabético tende a desequilibrar: ingerir muitos alimentos pode levar ao chamado empilhamento de insulina, resultando numa queda potencialmente perigosa dos níveis de glicose no sangue durante a madrugada; o exercício no começo da noite aumenta a necessidade de glicose do corpo no começo da manhã, podendo aumentar o risco de hipoglicemia noturna.

Os resultados mostraram que o sistema de pâncreas artificial manteve os níveis de glicose no sangue controlados durante 60% do tempo, enquanto a bomba manteve dentro do normal apenas 40% da noite. Além disso, durante as quedas, manteve a taxa de glicose apenas no nível considerado como hipoglicemia leve – impedindo cair até onde se define como uma hipoglicemia perigosa.

Diabetes tipo 1

O diabetes tipo 1, conhecido também como diabetes juvenil ou diabetes insulino-dependente, é uma doença crônica que está afetando cada vez mais crianças acima de cinco anos no mundo. Crianças e adultos precisam de injeções diárias de insulina, já que a medicação oral é ineficaz para controlar os altos níveis de glicose no sangue, e vários testes de picada são necessários durante o dia. O uso da insulina aumenta o risco de hipoglicemia, que pode levar ao come e à morte.