Sistema inusitado de sensores de som prevê risco de desabamento

O sistema mede e analisa o comportamento acústico do solo para prever se um deslizamento de terra é iminente.

taniager

21 Outubro 2010 | 14h32

O ensaio de campo do novo sistema mostra a monitoração acústica ocorrendo. Crédito: EPSRC, UK.

O ensaio de campo do novo sistema mostra a monitoração acústica ocorrendo. Crédito: EPSRC, UK.

Um sistema inusitado de sensores de som foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Loughborough, Reino Unido, em colaboração com a British Geological Survey.   O sistema mede e analisa o comportamento acústico do solo para prever se um deslizamento de terra é iminente, evitando um colapso catastrófico ao permitir que medidas preventivas sejam tomadas.

O sistema de detecção consiste de uma rede de sensores enterrado em toda a encosta ou aterro que apresente risco de colapso. Os sensores agem como microfones no subsolo, registrando a crescente atividade acústica do movimento de terra em toda a encosta. Cada sensor transmite então um sinal para um computador central para análise.

Como as taxas de ruído criadas pelo atrito entre partículas são proporcionais às taxas de movimento do solo, o aumento de emissões acústicas significa que uma inclinação está perto de desabar. Assim que uma determinada taxa de ruído é registrada, o sistema pode enviar uma mensagem de texto de alerta às autoridades responsáveis pela segurança da área. Um sinal de alerta antecipado permite, por exemplo, evacuar a área perto de rotas de transporte que atravessem o declive ou efetuar trabalhos para estabilizar o solo.

Crédito: EPSRC, UK.

Crédito: EPSRC, UK.

Neil Dixon, professor de Engenharia geotécnica da universidade e principal pesquisador do projeto, explica como o sistema funciona. “Da mesma forma que uma vara ao ser flexionada cria ruídos que vão aumentando até que ela se quebre, o movimento do solo antes de um deslizamento de terra aumenta as taxas de ruído”. Segundo o professor, a novidade do sistema está na forma como as informações são capturadas e processadas, a fim de que a relação entre as taxas de ruído e deslocamento do solo sejam quantificadas em tempo real para fornecer avisos antecipados.

Atualmente os pesquisadores estão tentando aprimorar o sistema para produzir sensores de baixos custos e autossuficientes – que não exijam um computador central. Este trabalho, que está sendo realizado no âmbito do segundo projeto, foca a fabricação de sensores de baixíssimos custos com alarmes sonoros e/ou visuais integrados, para utilização nos países em desenvolvimento. Os trabalhos em curso incluem ensaios de campo, pesquisa de mercado e planejamento de exploração comercial da tecnologia.