Sombrero tem personalidade dupla: exibe o comportamento de dois tipos de galáxias

Sombrero tem personalidade dupla: exibe o comportamento de dois tipos de galáxias

Da redação

24 Abril 2012 | 21h18

NASA/JPL-Caltech

Desde que foi descoberta em 1767, a galáxia Sombrero, localizada a 28 milhões de anos-luz na constelação de Virgem, chama a atenção de astrônomos por sua forma nada convencional: um disco achatado rodeia seu núcleo protuberante, de forma que sua estrutura se assemelha a um chapéu de largas abas. Agora, novas observações do telescópio espacial Spitzer, da Nasa, revelam que a galáxia tem, na verdade, ‘dupla personalidade’.

Embora cientistas ainda precisem responder muitas questões sobre a forma das galáxias, atualmente dispomos de um bom entendimento acerca dessas incríveis organizações cósmicas. Há basicamente três tipos de galáxias – as espirais (Via Láctea), as elípticas (Virgo A) e as irregulares (Grande Nuvem de Magalhães) -, formadas originalmente como um disco em espiral. Quando interagem com outras, acabam assumindo a forma elíptica (do que se conclui que galáxias elípticas são as mais antigas no universo). Isso se deve a interação de gases, influência da gravidade, presença da invisível matéria escura, entre outros fatores, que estão sendo testados em diferentes modelos e simulações.

Já que a forma de uma galáxia tende a seguir um processo mais ou menos regular ao longo de milhares de anos, por que então algumas, como a Sombrero, exibem características tão peculiares? A primeira resposta seria uma gigantesca galáxia elíptica ter engolido um pequeno disco espiral. Mas isso é improvável. Num processo como esse, a estrutura do disco seria destruída. É mais realista pensar que a imensa galáxia elíptica foi inundada com gás há 9 bilhões de anos. Em órbita pela força gravitacional, o material injetado no centro do anel galáctico teria, por fim, se transformado no disco achatado que observamos hoje (na imagem acima é possível ver claramente a galáxia elíptica em azul com o disco vermelho ao redor. Crédito: NASA/JPL-Caltech).


A hipótese, no entanto, não encerra o debate. Como um disco tão grande foi formado – e sobreviveu! – dentro de uma galáxia elíptica tão maciça? Esse processo é tão incomum quanto se supõe? Para os cientistas, responder essas perguntas pode dar boas pistas de como galáxias evoluem, como o universo foi formado e como outras galáxias podem ter se comportado há alguns bilhões de anos.

Veja também:

Cinco nebulosas que valem (estas sim!) uma espiadinha
Galáxia ‘pouco evoluída’ mostra realidade das galáxias primordiais
Imagem de galáxia mostra como Via Láctea seria observada a distância