Spray de hormônio oxitocina faz homens ficarem mais sensíveis

Já que nos homens a natureza não foi tão específica no quesito "sensibilidade", pesquisadores bolaram uma forma de forçar a barra.

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30 Abril 2010 | 15h06

Estudo revela que a empatia emocional é modulada pela oxitocina, e que isso se aplica também aos processos de aprendizagem.

Estudo revela que a empatia emocional é modulada pela oxitocina, e que isso se aplica também aos processos de aprendizagem.

Um homem inteligente, bonito e… sensível. É o que praticamente todas as mulheres gostariam de encontrar. E, já que a natureza não foi tão específica no último quesito, pesquisadores da Universidade de Boon, na Alemanha, e do Instituto Babraham Cambridge, no Reino Unido, testaram uma forma de fazer isso acontecer: um spray com hormônio que aumenta a sensibilidade masculina.

O estudo envolveu experiências com 48 homens. Metade recebeu um spray nasal de oxitocina no início do experimento; a outra metade recebeu um placebo. A equipe de cientistas, então, mostrou fotos de assuntos variados, envolvendo situações carregadas de emoções. Crianças chorando, uma menina abraçando o gato, um homem de luto, entre outras. Depois, os marmanjos foram convidados a falar sobre a experiência destas pessoas mostradas nas figuras.

Homens que tinham recebido o spray tiveram uma empatia emocional maior do que a do grupo do placebo, revelando que o hormônio é capaz de aumentar a capacidade destes indivíduos em experimentar o sentimento dos outros.


Em outro experimento, os participantes usaram computadores para responderem um teste simples de observação. Um grupo recebia o feedback com “carinhas” de aprovação e reprovação, e o outro sabia de erros e acertos por círculos verdes e vermelhos nas respostas. “Em geral, o aprendizado foi melhor quando o feedback mostrou carinhas”, aponta Keith Kendrick, do Cambridge Babraham Institute. “Mas, mais uma vez, o pessoal da oxitocina respondeu claramente melhor ao feedback na forma de expressões faciais do que o grupo do placebo”.

Nesta conexão, o chamado núcleo amidagloide está envolvido na valorização emocional das situações. Certas pessoas sofrem de um distúrbio hereditário extremamente raro que progressivamente afeta a amígdala. “Tivemos sorte em incluir duas mulheres no nosso estudo que sofriam do defeito na amígdala”, diz René Hurlemann, da Universidade de Bonn. “As duas reagiram marcadamente pior à aprovação e reprovação das faces no teste de observação do que mulheres de um grupo de controle. A empatia emocional foi igualmente afetada”. Em função destes resultados, os pesquisadores acreditam que a amigdala tenha alguma responsabilidade no efeito da oxitocina.

Um dos efeitos da oxitocina é que ela provoca as dores do parto, além de reforçar o vínculo emocional entre mãe e filho recém-nascido. A oxitocina é liberada em grande quantidade durante o orgasmo também, sendo associada a sentimentos como o amor e a confiança.

O estudo em questão revela que a empatia emocional é modulada pela oxitocina, e que isso se aplica também aos processos de aprendizagem. De alguma maneira, este hormônio poderá ser útil como medicação, para doenças como a esquizofrenia, frequentemente associada a habilidades sociais reduzidas.

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