Suplementos de vitamina D podem combater efeitos da doença de Crohn

Pesquisa canadense mostra que a vitamina age diretamente sobre genes responsáveis pela manutenção do sistema imunológico.

root

29 Janeiro 2010 | 17h00

Suplementos de vitamina D podem atuar em genes responsáveis pela manutenção do sistema imunológico.

Suplementos de vitamina D podem atuar em genes responsáveis pela manutenção do sistema imunológico.

Um novo estudo canadense mostra que a vitamina D, facilmente disponível em suplementos ou no óleo de fígado de bacalhau, pode combater os efeitos da doença de Crohn – uma doença crônica inflamatória que pode afetar partes do trato gastrointestinal e que, embora possa ter tratada para controlar sintomas e complicações, não tem cura.

Pesquisadores do Centro Médico da Universidade McGill e da Universidade de Montreal sugerem que a deficiência de vitamina D no organismo pode contribuir para a doença. John White, responsável pelo estudo, afirma que povos do hemisfério norte que recebem menos luz solar – necessária para a produção da vitamina pelo organismo – são mais vulneráveis à doença.

A vitamina D, em sua forma ativa, é um hormônio que se liga aos receptores nas células do sangue.

O interesse de White para a pesquisa surgiu do efeito atenuante que a mesma oferece em pacientes com câncer. Justamente porque o resultado de seus estudos indicava que a vitamina D atuava no sistema imunológico, especificamente no sistema imunológico inato (que atua como a primeira defesa do corpo contra micróbios), ele passou a se empenhar na investigação da doença de Crohn. “É um defeito no tratamento imunológico inato das bactérias intestinais que conduzem à resposta antiinflamatória, que pode causar uma doença autoimune”, explica.

A pesquisa é promissora porque permite testes simples e rápidos com pessoas que teriam predisposição para a doença, como irmãos de pacientes. Além disso, suplementos de vitamina D podem ser encontrados em qualquer farmácia, possibilitando a prevenção do problema.

Como a vitamina D atua

A pesquisa mostrou que a vitamina D age diretamente sobre o gene da beta-defensina 2, que codifica um peptídio antimicrobiano, e no gene NOD2, que alerta as células sobre a presença de “inimigos”. Os dois estão associados à doença de Crohn. Se o NOD2 tem algum defeito, não é capaz de combater invasores no trato intestinal.