Tecidos de pulmão são recuperados em ratos com transplante de células

Transplante de células pulmonares derivadas de células-tronco embrionárias pode regenerar órgão destruído por doenças.

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04 Fevereiro 2010 | 13h32

Estudo conduzido por Rick Wetsel e Dachun Wang explora o uso de células de pulmão transplantadas, derivadas de células-tronco, para o tratamento de lesões pulmonares.

Estudo conduzido por Rick Wetsel e Dachun Wang explora o uso de células de pulmão transplantadas, derivadas de células-tronco, para o tratamento de lesões pulmonares. Crédito: University of Texas.

Pesquisadores que lidam com células-tronco estão experimentando uma nova abordagem para o tratamento de doenças do trato respiratório através de um procedimento envolvendo o transplante de células do pulmão. Os resultados de experiências com ratos, realizadas por especialistas da Universidade do Texas, EUA, indicam que o caminho é promissor.  

Camundongos que receberam transplante de células do pulmão viveram mais, mostrando menos cicatrizes nos pulmões, além de apresentar quantidades normais de oxigênio no sangue.

“As doenças respiratórias são as principais causas de mortalidade e morbidade em todo o mundo”, ressaltaram os pesquisadores em artigo. “Os tratamentos atuais não oferecem nenhuma perspectiva de cura ou reversão da doença. Transplantes de células progenitoras pulmonares derivadas de células-tronco humanas embrionárias podem oferecer uma nova abordagem para regenerar células pulmonares destruídas por ferimentos e doenças”.

A pesquisa tem, assim, o poder de oferecer um modelo de estudo de patogêneses e tratamento de uma variedade de doenças pulmonares.  Um entendimento maior dos mecanismos básicos envolvidos na fase de cura de doenças pulmonares é fundamental para o desenvolvimento de novos tratamentos.

A maioria das pesquisas com células-tronco embrionárias se concentra nas lesões do pulmão difíceis de curar. Porque as células-tronco, nesse estágio inicial, podem se transformar em diferentes tipos de célula, podem ser uma possibilidade de substituir ou reparar tecidos danificados. E porque elas também se dividem rapidamente, podem oferecer aos pesquisadores um estoque grande de células.

Os cientistas compararam os resultados de ratos com pulmões danificados que receberam o tratamento e ratos que não foram tratados. Eles observaram que o tratamento experimental com células-tronco não melhorou o aspecto apenas, como também restaurou – quase ao estado ‘normal’ – a função pulmonar.

Os pesquisadores utilizaram um procedimento de seleção genética que eles criaram para gerar um tipo de célula do pulmão conhecida como epiteliais alveolares tipo II, que segrega surfactante – uma substância que mantém o pulmão inflado, e pode se transformar em outra célula do pulmão importante, que regula a transferência de oxigênio no sangue e a remoção de dióxido de carbono.

Os ratos usados também tinham sistema imunológico baixo, para reduzir a possibilidade de células humanas serem rejeitadas pelos organismos. Caso a investigação prossiga para a fase dos ensaios clínicos, há duas formas de abordar a questão da rejeição: os pacientes poderiam ser tratados com drogas imunossupressoras ou com células do próprio organismo, convertidas em células-tronco pluripotentes induzidas – cujas “propriedades” são parecidas com as células estaminais embrionárias.