Técnica para, armazena e controla luz de laser pela manipulação de elétrons

Equipe desenvolve a mais eficiente memória quântica para a luz até hoje alcançada, dando mais um passo rumo aos computadores supervelozes.

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24 Junho 2010 | 00h02

Luz que passa através do cristal no experimento de memória quântica. Crédito: ANU.

Luz que passa através do cristal no experimento de memória quântica. Crédito: ANU.

Um time liderado por cientistas da Universidade Nacional Australiana conseguiu desenvolver a mais eficiente memória quântica para a luz do mundo. A descoberta é mais um passo rumo ao desenvolvimento de computadores supervelozes.

A técnica, pioneira, é capaz de parar e controlar a luz de um laser pela manipulação de elétrons em um cristal refrigerado a – 270ºC. Pela precisão e eficiência, o sistema permite que a luz com sua delicada natureza quântica seja armazenada, manipulada e resgatada. “Quando permitimos que ela prossiga, temos essencialmente tudo o que entrou como um holograma em três dimensões”, explica Morgan Hedges, responsável pela pesquisa.

Por causa da incerteza inerente da mecânica quântica, alguma informação da luz será perdida no momento em que os cientistas tentam medi-la, tornando-se um holograma de leitura única – o que garante uma comunicação extremamente segura. Esta qualidade torna o fenômeno interessante para aplicações na computação quântica, com o potencial de ser muito mais rápida e poderosa que os computadores atuais.


O armazenamento da luz também pode permitir aos cientistas testar fundamentos físicos, como a bizarra relação entre quântica e teoria da relatividade. De acordo com os pesquisadores, seria possível manipular o estado quântico de duas memórias. Segundo a teoria da relatividade, a forma como o tempo passa para uma memória (cristal) é afetada pela maneira como esta memória se move. Com uma boa memória quântica, é possível testar estes fenômenos de forma relativamente simples.

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