Telescópio Hubble ajuda a desvendar mistérios recentes sobre Júpiter

Somente agora astrônomos podem explicar o misterioso flash de luz e o desaparecimento do Cinturão Equatorial Sul de Júpiter.

taniager

16 Junho 2010 | 14h41

O misterioso efeito de luz em Júpiter não deixou marcas em sua superfície.Crédito: cortesia de NASA, ESA, M. H. Wong (Universidade da California, Berkeley, USA), H. B. Hammel (Space Science Institute, Boulder, Colorado, USA), A. A. Simon-Miller (Goddard Space Flight Center, Greenbelt, Maryland, USA).

O misterioso efeito de luz em Júpiter não deixou marcas em sua superfície.Crédito: cortesia de NASA, ESA, M. H. Wong (Universidade da California, Berkeley, USA), H. B. Hammel (Space Science Institute, Boulder, Colorado, USA), A. A. Simon-Miller (Goddard Space Flight Center, Greenbelt, Maryland, USA).

Recentemente astrônomos do mundo inteiro ficaram intrigados com observações de dois eventos em Júpiter: o misterioso flash de luz visto no dia 03 de junho e o desaparecimento do Cinturão Equatorial Sul escuro em julho de 2009. Agora, observações mais detalhadas do Hubble fornecem novos dados para hipóteses mais certeiras sobre estes acontecimentos.

O flash de luz, tão brilhante que podia ser visto da Terra a 770 milhões de quilômetros de distância, pode ter sido o reflexo de uma colisão entre algum corpo de tamanho significante com a superfície de Júpiter. Durante as duas semanas passadas, o padrão de “olho escuro” deixado por impactos desta magnitude foi procurado.

Imagens tiradas no dia 07 de junho – apenas três dias depois do flash de luz ser visto – não mostram nenhum sinal de detritos acima do topo das nuvens do planeta gigante. Portanto, o objeto não desceu abaixo das nuvens e explodiu como uma bola de fogo. Caso isto tivesse acontecido, os detritos de fuligem seriam ejetados e se espalhariam sobre as nuvens formando uma mancha escura.

O flash de luz, na verdade, veio de um meteoro gigante em chamas que passou acima do topo das nuvens de Júpiter e não mergulhou o suficiente na atmosfera para explodir e deixar para trás qualquer indício de detritos. “Como não existem evidências de características típicas de impacto, acreditamos que não houve nem explosão nem “bola de fogo”, argumentou o membro da equipe Heidi Hammel do Instituto de Ciência Espacial do Colorado, EUA.

As manchas escuras marcaram a atmosfera de Júpiter quando uma série de fragmentos do cometa Shoemaker-Levy 9 colidiu com o planeta em 1994. Um fenômeno similar ocorreu em 2009 quando um suposto asteroide bateu em Júpiter. O último intruso parece ter uma fração do tamanho destes invasores anteriores. Os cientistas acreditam que ele seja um meteoro.

Observações desses impactos fornecem uma janela para o passado — para os processos de formação de nosso Sistema Solar na sua história primordial, diz o membro da equipe Leigh Fletcher, da Universidade de Oxford, Reino Unido. “Comparar as duas colisões – de 2009 e 2010 – será de grande valia para entender os tipos de processos de impacto fora do Sistema Solar e a resposta física e química da atmosfera de Júpiter a esses acontecimentos surpreendentes.”

As observações do Hubble também forneceram uma visão melhor das mudanças na atmosfera de Júpiter, após o desaparecimento do Cinturão Equatorial Sul há alguns meses atrás.

Uma camada de nuvens brancas de cristais de gelo de amoníaco em altitude ligeiramente superior parece obscurecer as nuvens escuras do cinturão. A equipe prevê que essas nuvens de amoníaco desapareçam em poucos meses, como fizeram no passado. No processo de desaparecimento, esta nuvem branca começará a ser vista com um número de pontos escuros, como observado pelo Hubble ao longo da fronteira da zona tropical sul. Os pontos negros são buracos resultantes da inversão localizada.

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