Método agiliza diagnóstico em pacientes com baixa resistência

Técnica desenvolvida pela Unicamp vai acelerar tempo para identificação de infecções por fungos em pacientes com sistema imunológico frágil.

lsouza

02 Março 2010 | 18h32

Infecções fúngicas são consideradas doenças oportunistas em pessoas com sistema imunológico frágil. Acima, imagem de leucócitos, células que combatem ameaças no organismo. Crédito: National Cancer Institute.

Infecções fúngicas são consideradas doenças oportunistas em pessoas com sistema imunológico frágil. Acima, imagem de leucócitos, células que combatem ameaças no organismo. Crédito: National Cancer Institute.

Em parceria com a Universidade de Chiba e Japão, pesquisadores da Unicamp desenvolverão nos próximos três anos novos métodos que agilizarão a identificação de infecções causadas por fungos, que podem ser fatais em pacientes cujo sistema imunológico está fragilizado por  conta de doenças imunodepressoras, como câncer e AIDS, ou pessoas que tenham sido transplantadas recentemente.

“O pronto diagnóstico de uma doença fúngica, que se instala rapidamente, e muitas vezes pode ser fatal para o paciente, vai proporcionar a nós médicos uma grande vantagem na introdução da terapêutica adequada”, explica Maria Luiza Moretti, professora da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) e coordenadora do projeto pelo lado brasileiro.

O convênio de cooperação técnico-científica entre as duas universidades foi assinado nesta segunda-feira, 01 de março, na Reitoria da Unicamp e prevê estudos na área pelos próximos três anos. A Unicamp, a Universidade de Chiba e a JICA (Japan International Cooperation Agency) serão responsáveis pelos custos do projeto que promete ser referência para demais países do mundo. “Seremos a primeira instituição do Brasil, e talvez da América Latina, a desenvolver essa tecnologia, que permite um diagnóstico em 30 minutos. Outra inovação é o uso de cepas de pacientes brasileiros, ao invés de importadas”, afirmou a professora. Atualmente, os processos de identificação podem levar até uma semana.

O projeto, que começa em abril próximo e termina em março de 2013, prevê a ida de sete pesquisadores da Unicamp (de dois a três por ano) para treinamentos no Japão, bem como a vinda de colegas da Universidade de Chiba. Os equipamentos de alto custo e os insumos serão providos pela JICA, enquanto a instituição brasileira oferecerá seus laboratórios.

Conforme Katsuhiko Haga, coordenador de cooperação tecnológica da Jica para o Brasil, a agência já está apoiando três projetos em andamento no Brasil. Um deles relacionado com a produção de etanol a partir do bagaço de cana, juntamente com as federais do Rio de Janeiro e de Santa Catarina; outro com a Embrapa Soja, buscando uma variedade mais resistente à seca; e um terceiro com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre mudanças climáticas.

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