Transplante de ovário restaura fertilidade e prolonga vida de fêmeas de camundongos

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29 Junho 2010 | 13h34

Todos os ratos, em ambos os experimentos de transplante, retomaram o comportamento normal de reprodução dos ratos jovens.

Todos os ratos, em ambos os experimentos de transplante, retomaram o comportamento normal de reprodução dos ratos jovens.

Pesquisadores conseguiram restaurar a fertilidade de fêmeas de ratos e aumentar sua vida útil após um transplante de ovário proveniente de um animal mais novo. Noriko Kagawa mostrou na 26º reunião anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, em Roma, Itália, que a longevidade das fêmeas aumentou mais de 40% após o procedimento.

Atualmente, transplantes de ovário são raros e realizados com o objetivo de preservar a fertilidade de algumas mulheres após o tratamento de câncer. Contudo, os pesquisadores não tinham em mente a possibilidade de prolongar a vida destas pessoas e estudos complementares devem avaliar se os mesmos efeitos observados em roedores serão semelhantes em humanos.

Para chegar a estas conclusões, os pesquisadores retiraram ambos os ovários de fêmeas jovens (cerca de 140 dias) e os transplantaram em seis camundongos do sexo feminino mais velhos (mais de 525 dias, período em que estes animais já estão na “menopausa”). Em um segundo experimento, apenas um ovário foi removido e transplantado em ratos idosos.


“Todos os ratos, em ambos os experimentos de transplante, retomaram o comportamento normal de reprodução dos ratos jovens”, afirma Kagawa, diretor associado de pesquisas na clínica Kato Ladies em Tóquio, no Japão. “Além disso, a longevidade dos ratos que receberam ovários jovens era muito maior do que a do grupo de controle: animais que receberam dois ovários viveram uma média de 915 dias, e as que tinham recebido um ovário viveram uma média de 877 dias”. A explicação para o aumento da longevidade estaria na manutenção das funções hormonais normais.

A equipe acredita que congelar o tecido ovariano em idades jovens de mulheres que se submetem aos tratamentos de câncer e transplantá-lo anos depois poderia ser uma alternativa no futuro, caso novas pesquisas confirmem os efeitos observados em modelos animais.

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