Cérebro funciona diferente em garotas com transtorno de conduta

Nas primeiras décadas de vida, uma postura “legal” se diferencia de uma personalidade agressiva por diferenças neurológicas.

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06 Maio 2010 | 23h53

O padrão de comportamento no transtorno de conduta se caracteriza pela violação dos direitos básicos dos outros e das normas ou regras sociais, como se observa em algumas personagens do filme

O padrão de comportamento no transtorno de conduta se caracteriza pela violação dos direitos básicos dos outros e das normas ou regras sociais, como se observa em algumas personagens do filme "Garota, Interrompida".

De alguma maneira, meninas até a adolescência são privadas de comportamentos antissociais ou muito agressivos. Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, acreditam que a maneira como o cérebro trabalha pode explicar isso. Nas primeiras décadas de vida, uma postura “legal” se diferencia de uma personalidade agressiva por diferenças neurológicas.

Até agora, pouca pesquisa foi feita em comportamento antissocial (transtorno de conduta) em meninas e muitos especialistas acreditam que a condição esteja muito associada ao ambiente psicológico em que a criança está inserida. De acordo com Graeme Fairchild, um dos autores do trabalho, quase nada se sabe sobre a neuropsicologia de comportamentos antissociais severos em garotas.

“Nossos resultados sugerem que o comportamento antissocial ou a violência não pode somente refletir escolhas ruins, mas que, em algum nível, os cérebros de indivíduos com comportamento antissocial podem funcionar de forma diferente”, explica Fairchild. “Isso pode tornar mais difícil para elas interpretaram as emoções dos outros – sobretudo para perceber que alguém está zangado com elas, e aprender com a punição”.

Elas não conseguem interpretar algumas emoções

O estudo, publicado este mês no Biological Psychiatry, comparou um grupo de 25 garotas entre 14 e 18 anos de idade, com altos níveis de comportamento antissocial ou violento com um grupo de controle formado por 30 meninas.

A equipe mediu a capacidade que estas meninas tinham de reconhecer seis principais expressões faciais: raiva, nojo, tristeza, medo, surpresa e felicidade. Os pesquisadores descobriram que as meninas antissociais erraram mais vezes quando tiveram que reconhecer a raiva e o nojo, mas, não tiveram problemas para reconhecer outras expressões faciais.

O estudo também mostra que o problema para reconhecer certas emoções nas meninas ocorre geralmente na adolescência, enquanto este tipo de comportamento é visto em meninos no começo da infância. “Isso sugere que existem diferenças interessantes no comportamento antissocial entre meninos e meninas, com as meninas sendo ‘protegidas’ do comportamento antissocial até a adolescência, por razões que ainda não compreendemos”.

A próxima fase da pesquisa envolve análises do cérebro.

Transtornos de conduta

Transtornos de conduta são mais comuns em meninos do que em meninas, afetando cerca de 5% das crianças em idade escolar. Uma série de fatores pode tornar um jovem propenso ao problema, entre eles o abuso físico.

Crianças com o problema apresentam mais tendência do que outros indivíduos da mesma idade para desenvolver transtornos mentais, entre eles o déficit de atenção com hiperatividade, transtornos de ansiedade e transtornos obsessivos-compulsivos.

Não há, no entanto, nenhum tratamento efetivo contra isso, embora uma terapia chamada multi-terapia sistêmica (envolvendo o paciente, a família e a comunidade)  esteja sendo testada, mostrando-se promissora para o controle de comportamentos antissociais.

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