Tratamento de grupo de risco pode prevenir avanço da esquizofrenia

Experiência em ratos demonstra que áreas afetadas no cérebro podem voltar ao normal após tratamento com clozapina antes da doença se manifestar.

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29 Janeiro 2010 | 13h38

Ratos adultos com esquizofrenia (centro) apresentam ventrículos laterais maiores do que em ratos saudáveis (esquerda), mas voltam ao tamanho normal com tratamento de clozapina na adolescência. Crédito: Tel Aviv University.

Cérebros de ratos adultos com esquizofrenia (centro) apresentam ventrículos laterais maiores do que em ratos saudáveis (esquerda), voltando ao tamanho normal após tratamento de clozapina na adolescência. Crédito: Tel Aviv University.

A esquizofrenia é um transtorno mental grave que afeta mais de 50 milhões de pessoas no mundo, alterando a percepção da realidade. Por ser composta por um grupo de psicoses, seu diagnóstico não é uma tarefa fácil – especialmente no início da doença. Entretanto, pesquisadores da Universidade de Tel Aviv, Israel, indicam que as primeiras alterações no cérebro devem ser identificadas, já que testes com ratos mostraram que o tratamento prévio pode prevenir o distúrbio.

Embora esteja associada com pelo menos 14 genes do homem, a presença de algum membro na família com a doença não necessariamente determina a alteração mental de outro. Muitos pesquisadores inclusive acreditam mais em fatores ambientais. Para Ina Weiner, responsável pela pesquisa, o desenvolvimento do distúrbio pode ser desencadeada por uma infecção no útero da mãe grávida, que começa a se desenvolver depois de muitos anos no filho.

Partindo desta outra abordagem, Ina e seus colegas Yaerl Piontkewiz e Yaniv Assaf buscaram pistas biológicas que ajudassem a rastrear a progressão da doença antes que os sintomas se manifestassem. “Se as mudanças ocorrem progressivamente enquanto a esquizofrenia vai afetando o cérebro, é possível que estas alterações possam ser prevenidas por meio de uma intervenção precoce”, afirma ela. “Isso iria revolucionar o tratamento da doença”.

Para provar isso, a equipe de pesquisadores introduziu em ratas grávidas um vírus conhecido por induzir comportamentos de desordem mental similares aos da esquizofrenia. Este método simularia a infecção materna durante a gravidez – um fator de risco para a doença. A prole demonstrou desenvolvimento normal do nascimento até a adolescência. Entretanto, no início da idade adulta, os animais começaram a apresentar sintomas parecidos com as da esquizofrenia.

Um estudo detalhado identificou alterações nos ventrículos laterais e no hipocampo. Então, ratos que faziam parte do grupo de “risco elevado para a doença” foram tratados com risperidona e clozapina (dois medicamentos usados para tratar a esquizofrenia). Varreduras no cérebro mostraram que essas áreas mantiveram um tamanho saudável.

Tudo indica que essas drogas poderiam ser usadas para prevenir o aparecimento da esquizofrenia. Esta é a primeira demonstração de que tal tratamento pode impedir o desenvolvimento de certos distúrbios no cérebro e, em ratos, a intervenção medicamentosa funcionou bem quando feita durante os períodos da adolescência, muitos meses antes da maturidade plena do animal.

Até agora, antipsicóticos são receitados apenas quando os sintomas são aparentes. Weiner acredita que um método efetivo e não invasivo de previsão (observando a trajetória de desenvolvimento de alterações específicas do cérebro) associado a uma dose baixa de medicamentos durante a adolescência poderia afastar a esquizofrenia em pessoas com maiores chances de desenvolver a doença.

Contudo, mais pesquisas serão necessárias para indicar com precisão quais alterações no cérebro podem ser detectadas com precisão