Tremores na falha de San Andreas são mais frequentes do que se pensava

Pesquisadores mapeiam terremotos que ocorreram ao longo de 700 anos na região e concluem: uma grande ruptura está para acontecer.

taniager

20 Agosto 2010 | 19h05

Foto da sismóloga Lisa Grant Ludwig da Universidade da Califórnia, Irvine. Crédito: Daniel A. Anderson /Univ. Comunications.

Foto da sismóloga Lisa Grant Ludwig da Universidade da Califórnia, Irvine. Crédito: Daniel A. Anderson /Univ. Comunications.

Tremores de terra têm abalado a poderosa falha de San Andreas que divide a Califórnia com muito mais freqüência do que se pensava, de acordo com pesquisadores da Universidade da Califórnia Irvine e a Universidade do Estado do Arizona, os quais têm mapeado terremotos que ocorreram ao longo de 700 anos na região.

A descoberta, a ser publicada na edição de 1o de setembro da revista Geology, conclui que grandes rupturas deverão ocorrer na porção Carrizo Plain da falha – cerca de 160 km a noroeste de Los Angeles – segundo a frequência do período de 45 a 144 anos. Mas o último grande terremoto foi em 1857, há mais de 150 anos.

Segundo os pesquisadores, a falha pode estar experimentando uma trégua natural, mas eles acreditam que é bastante provável que um grande terremoto poderá acontecer em breve. “Se você está esperando alguém lhe dizer o quanto estamos perto de um próximo terremoto em San Andreas, basta olhar os dados,” disse a sismóloga Lisa Grant Ludwig, pesquisadora principal do estudo.

Sinan Akciz, cientista assistente do projeto e autor do estudo, fez parte de uma equipe que coletou amostras de carvão de trincheiras cuidadosamente escavadas em Plain Carrizo, juntando-as aos exemplares anteriores que Ludwig tinha armazenado durante décadas em sua garagem. O carvão se forma naturalmente após incêndios florestais, depois é lavado na planície pelas chuvas, acumulando-se ao longo dos séculos em camadas que são fragmentadas durante os terremotos. Akciz datou as amostras usando as técnicas de rádio-carbono recentemente desenvolvidas para determinar quando ocorreram seis grandes sismos, sendo que o mais antigo foi cerca de 1300 d.C.

Os dados do campo confirmaram  as suspeitas de Ludwig: a crença amplamente aceita de que um grande terremoto havia acontecido na falha entre 250 a 400 anos atrás era imprecisa. Nem todos os tremores eram tão fortes como inicialmente se pensava, mas todos eles envolviam uma pancada, variando entre magnitudes de 6,5 e 7,9.

“Nós aprendemos que a recorrência de terremotos ao longo da falha de San Andreas é complexa,” disse o co-autor Ramon Arrowsmith, um professor de Geologia da Universidade do Estado do Arizona. “Terremotos mais frequentes  também podem ser menores. Isso é um pouco de boas notícias para compensar a má.”