Pessoas com paralisia facial podem voltar a piscar com músculo artificial

Cirurgiões demonstraram como músculos artificiais podem restaurar a habilidade de piscar em pacientes com paralisia facial. A descoberta deve beneficiar milhares de pessoas que a cada ano perdem a capacidade de fechar as pálpebras, depois de traumas, acidente vascular cerebral, lesões nos nervos faciais ou cirurgias mal sucedidas.

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21 Janeiro 2010 | 17h32

Traumas, cirurgias para retirada de tumor e acidente vascular cerebral podem corromper nervo responsável pelo ato de piscar.

Traumas, cirurgias para retirada de tumor e acidente vascular cerebral podem corromper nervo responsável pelo ato de piscar.

Cirurgiões do UC Davis Medical Center demonstraram como músculos artificiais podem restaurar a habilidade de piscar em pacientes com paralisia facial. A descoberta deve beneficiar milhares de pessoas que a cada ano perdem a capacidade de fechar as pálpebras, depois de traumas, acidente vascular cerebral, lesões nos nervos faciais ou cirurgias mal sucedidas. Mais: a técnica, que usa uma combinação de cabos de eletrodos e polímeros de silício, poderia ser usada no desenvolvimento de músculos sintéticos para o controle de outras partes do corpo.

A equipe do cirurgião plástico Travis Tolleson desenvolveu um sistema para implantar dispositivos geradores de movimento baseados em polímeros eletroativos incrementados (plásticos que se movem em resposta à eletricidade) em pessoas. Estes agem como um músculo natural, expandindo e contraindo dependendo da voltagem de uma bateria que também é implantada em alguma cavidade do rosto.

Para o estudo, um mecanismo semelhante a um estilingue foi usado em cadáveres. O músculo artificial era acionado por uma bateria. As experiências mostraram que a força necessária – relativamente fraca – para fechar os olhos pode ser perfeitamente obtida e que o movimento das pálpebras pode ser muito realista, simétrico e sincronizado. Futuramente, o mesmo sistema pode dar a crianças com paralisia facial a oportunidade de sorrir ou mesmo a chance de controlar a bexiga para adultos que sofrem de incontinência urinária, por exemplo.

Os pesquisadores acreditam que o novo método possa beneficiar pessoas dentro de cinco anos.

Piscar pra quê?

Você até pode não ser galanteador, nem saber jogar truco direito. Mas piscar é quase tão importante como respirar, pelo menos para a saúde dos olhos. É o movimento das pálpebras que limpa a superfície dos olhos espalhando lágrimas sobre a córnea. Sem esta lubrificação, o órgão pode sofrer de úlceras e, eventualmente, levar uma pessoa à cegueira.

O movimento involuntário das pálpebras é controlado por um nervo do crânio. Na maioria dos pacientes com paralisias permanentes na região dos olhos, este nervo foi afetado por algum trauma ou cirurgia para remoção de algum tumor. Muitas pessoas não têm nenhum outro nervo perto capaz de substituir o nervo corrompido em sua função, perdendo a habilidade de piscar ou sorrir.

Atualmente o problema é tratado de duas maneiras. Uma é transferindo um músculo da perna para o rosto. Entretanto, esta opção requer entre seis e dez horas de cirurgia, deixa uma segunda cicatriz e não é recomendada para pacientes frágeis ou idosos. A segunda alternativa é suturar a pálpebra com um pequeno peso de ouro, que fecha os olhos com a ajuda da gravidade. Embora bem sucedida em 90% dos casos, a piscada é lenta e não sincroniza com o outro olho. Alguns pacientes têm também dificuldade de manter as pálpebras quando estão deitados.