Depressão pode ter relação com ambientes muito limpos

Sistema imunológico de pessoas que vivem em ambientes muito limpos podem contribuir para a depressão, ao disparar reações inflamatórias.

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08 Dezembro 2010 | 13h42

Pesquisadores da Universidade Emory, nos EUA, estão estudando a forma como o sistema imunológico de pessoas que vivem em ambientes muito limpos podem contribuir para a depressão, ao disparar reações inflamatórias. O estudo vem a calhar, já que as taxas de depressão tem crescido constantemente e isso pode estar associado à perda de bactérias benéficas ao corpo.

Em um artigo de revisão publicado na Archives of General Psychiatry, pesquisadores mostram evidências de que rupturas em “relacionamentos” antigos com microorganismos do solo, alimentos e do intestino, podem contribuir para a depressão. O mundo moderno teria se tornado tão limpo, que os indivíduos são privados das bactérias que nosso sistema imunológico precisa para controlar inflamações, por exemplo.

“Nós já sabíamos há muito tempo que as pessoas com depressão, mesmo aquelas que não estão doentes, têm níveis mais elevados de inflamação”, explica o neurocientista Charles Emory Raison, responsável pelo trabalho. “Desde os tempos antigos, microorganismos benéficos, por vezes referidos como ‘velhos amigos’, ensinaram o sistema imunitário a tolerar outros microorganismos inofensivos e, no processo, reduzir as respostas inflamatórias que têm sido associadas ao desenvolvimento da maioria das doenças modernas, do câncer à depressão”.

Experimentos agora estão sendo conduzidos para testar a eficácia dos tratamentos que utilizam as propriedades destes “velhos amigos” para melhorar a tolerância emocional também. Se isso for confirmado, a reexposição a microorganismos inofensivos pode ser uma boa ideia.

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