Aves podem indicar perdas de espécies e extinção em massa

Trabalho mostra a necessidade de obtenção de dados mais detalhados sobre populações para servir como modelo em predições.

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05 Outubro 2010 | 15h14

Crédito: Ricardo Gerasimenko/Ciência Diária.

Crédito: Ricardo Gerasimenko/Ciência Diária.

Quer saber quanto a natureza anda sendo destruída? Olhe para cima. De acordo com um estudo realizado na Universidade de Oxford, no Reino Unido, as aves podem ser o melhor grupo a indicar perdas de espécies e, em última instância, extinções em massa.

De acordo com os pesquisadores, a Grã-Bretanha pode estar perdendo espécies com uma velocidade aproximadamente dez vezes maior do que sugerem os registros. A tendência é que a situação piore. Outros tipos de organismo também seguem o mesmo ritmo, alarmando cientistas para uma possível extinção global em massa.

“A perda da biodiversidade é, sem dúvida, muito mais séria e mais permanente do que a mudança climática”, ressalta Clive Hambler, do Departamento de Zoologia de Oxford e principal autor do trabalho. “Mas, é impossível saber se as políticas que objetivam reduzir as perdas estão sendo feitas com medidas precisas das taxas de extinção. Tivemos apenas estimativas brutas de poucos tipos de organismos. Agora, temos evidências de que muitos grupos de seres vivos – liquens, insetos, borboletas, peixes, plantes e assim por diante – estão sendo extintos a uma taxa semelhante à das aves”.

Apenas registros detalhados de história natural puderam mostrar aos pesquisadores que entre 1 a 5% das espécies da região foram perdidas desde 1800. As maiores perdas foram nos séculos 20. É possível que o mesmo tenha ocorrido e caminhe no mesmo sentido em diferentes lugares do planeta.

“Os pássaros são criaturas bonitas, mas eles também são diversos, e muito especializados para ambientes particulares. Isso os torna sensíveis a mudanças em seu ambiente, como a perda de árvores maduras ou o desenvolvimento de terrenos áridos que antes eram pantanosos ou costeiros”, explica Hambler. “E o que os torna realmente especiais para o acompanhamento da extinção é que eles também são fáceis de estudar em qualquer local do mundo, para que possamos detectar declínios em suas populações muito antes de nós observarmos as perdas das coisas mais obscuras, como bolores e musgos”.

A equipe considera que as aves podem funcionar como um modelo de predição da extinção de outras espécies. Entretanto, para isso é necessário que órgãos de pesquisa colham dados mais detalhados sobre estas populações. Informações fornecidas por órgãos consultivos da Grã-Bretanha hoje, por exemplo, devem sugerir apenas um décimo das perdas reais de uma espécie.

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