Pacientes com câncer tendem a sofrer menos de Alzheimer e vice-versa

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05 Janeiro 2010 | 17h36

O Alzheimer é a forma mais comum de demência e afeta geralmente pessoas acima de 65 anos.

O Alzheimer é a forma mais comum de demência e afeta geralmente pessoas acima de 65 anos.

Um novo estudo da Washington University School of Medicine in St. Louis mostra que pacientes com câncer têm menos chance de desenvolver Alzheimer. Pacientes com Alzheimer, por sua vez,  têm menos chance de desenvolver o câncer. Os dados podem apontar novos rumos para o tratamento de ambas as doenças, já que os resultados da pesquisa indicam que deve existir alguma relação entre os distúrbios.

Por muito tempo a associação entre o câncer e doenças neurológicas foi descartada. No entanto, a observação de pessoas com Mal de Parkinson mostrou que o câncer se desenvolvia com menos frequência, bem como pacientes de esclerose múltipla e Síndrome de Down.

Mas há seis anos, Maria Beherens, do centro de pesquisa em Alzheimer da Washington University (ADRC), percebeu que alguns pacientes pareciam ter câncer. Junto com os colegas de equipe, conduziu um estudo com dados de voluntários e sugeriu que pacientes com Alzheimer eram mais lentos para desenvolver o câncer.

No novo estudo, foram analisadas mais de 3 mil pessoas com 65 anos ou mais inscritos em um programa de estudos de saúde cardiovascular. Pacientes foram monitorados durante cinco anos para verificar se eles desenvolveram demência e, durante oito anos para analisar se foram hospitalizados por câncer. No início do estudo, 164 pacientes já tinham Alzheimer, e 522 pacientes tinham sido diagnosticados com câncer.

Durante o estudo, 478 pessoas desenvolveram demência e 376 desenvolveram câncer. Os que começaram a sofrer de Alzheimer no começo da pesquisa tiveram 69% menos chance de serem hospitalizados para o tratamento de câncer do que pacientes sem demência. Caucasianos que sofriam de câncer quando o estudo teve início tiveram 43% menos risco de desenvolver Alzheimer. O estudo final, entretanto,  não foi capaz de apontar o comportamento do organismo em outros grupos étnicos.

Para evitar que os pesquisadores fizessem confusão na avaliação do início do câncer, os pacientes com demência vascular também foram avaliados, e apenas pacientes com Alzheimer tiveram redução nas chances de desenvolver câncer. Seria possível que pacientes com Alzheimer morressem antes de serem diagnosticados com o câncer? Segundo os pesquisadores, há técnicas bastante exatas para avaliar estas condições e, além disso, pacientes com demência vascular tendem a morrer antes que os pacientes com Alzheimer – e mesmo assim apresentaram câncer.

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