União, compromisso e cumplicidade entre anima e animus

Psicóloga Regiane Canoso explica hoje os "parceiros invisíveis" existentes em todo relacionamento entre um homem e uma mulher.

root

22 Julho 2010 | 11h56

No hinduísmo, Ardhanari é a divindade andrógina composta por Shiva e Shkati.

No hinduísmo, Ardhanari é a divindade andrógina composta por Shiva e Shkati.

Bom, hoje o texto vai percorrer os caminhos que irão nos levar a um melhor entendimento do que seriam “os parceiros invisíveis” existentes em todo relacionamento homem, mulher. Pretendo aqui enfatizar o encontro do homem com sua anima e da mulher com seu animus para que possa ser estabelecida a união, o compromisso e a cumplicidade. No decorrer do texto vou usar alguns termos da Psicologia Analítica Junguiana, sendo esta meu referencial teórico.

Vou começa com esta frase de Sanford, penso ser cabível para assunto:

Na busca de sua alma e do sentido de sua vida, o homem (no sentido de totalidade podendo ser a mulher) descobriu novos caminhos que o levam para sua interioridade: o seu próprio espaço interior torna-se um lugar novo de experiências. Os viajantes destes caminhos nos revelam que somente o amor é capaz de gerar alma, mas também o amor precisa da alma“.

O “Par Perfeito”, anima e animus, se completam. Esta é a união que vou chamar de “Os Parceiros Invisíveis” existentes em todo relacionamento homem-mulher. Tendo como base esta reflexão, pretendo enfatizar o encontro do homem com sua anima e da mulher com seu animus para que possa ser estabelecida a união, o compromisso e a cumplicidade entre homem e mulher, masculino e feminino, levando em consideração seus papéis e funções, podendo também ser incluídos aqui os papéis de pai e mãe.

As palavras anima e animus vem do termo latino animare, que significa animar, avivar assemelhando-se a almas ou espírito, anima e animus são “imagens da alma”, sendo que o termo anima significa alma e o termo animus, razão ou espírito. Sendo assim:

– Em todos os relacionamentos humanos e em toda busca da plenitude individual por parte dos indivíduos estão presentes a anima e o animus.

– O destino dos relacionamentos – bom ou ruim – é determinado pelo relacionamento de cada indivíduo com o seu parceiro interior, anima ou animus.

Os indivíduos são feitos dos mesmos impulsos, energias e possibilidades, mas cada ser humano possui um jeito individual que dá singularidade ao seu eu, tornando-o diferente do outro, do parceiro. Essa energia deve ser buscada dentro de cada um, não no parceiro.

O indivíduo que têm noção desse seu parceiro invisível provavelmente terá um pouco mais de objetividade ao conviver com o seu parceiro exterior, sabendo que, ao invés de esperar dele certas qualidades, deve acolhê-lo na sua singularidade, com suas qualidades já existentes.

Anima e animus fazem parte da estrutura psíquica de todo homem e de toda mulher. Sendo assim, Jung os chamou de arquétipos, porque é típico de cada um. Tanto a anima como o animus são arquétipos muitos poderosos, que podem dominar um indivíduo, tomando conta de sua consciência e assumindo o controle.

Os arquétipos (tendências do psiquismo para pré-modelar seus conteúdos em nós sob a forma de imagens ou ideias) formam a base dos padrões de comportamentos que são comuns a toda espécie humana e que se apresentam a consciência com certas maneiras típicas.

Mesmo que os conteúdos da anima e do animus possam ser integrados, a própria anima e o próprio animus não podem, por serem arquétipos, constituindo assim a pedra fundamental da totalidade psíquica que transcende as fronteiras da consciência, não poderá constituir-se em um objeto da consciência reflexa.

A anima e o animus não estão sujeitos à vontade e ao controle consciente, nunca podemos domesticá-los ou eliminá-los, mas sim estarmos preparados para novos truques e surpresas.

O homem e a mulher são tão diferentes que é preciso um grande poder de atração para uni-los em primeiro lugar. Por essa razão, a maior parte dos relacionamentos de amor começa com a projeção, quando a anima e o animus são projetados em outras pessoas, a percepção que temos delas fica profundamente alterada.

O assunto ainda não terminou. Voltarei com na próxima coluna falando disso. Para os leitores que estão seguindo os textos, a continuação do assunto irá acrescentar mais entendimento a respeito do que venho falando sobre anima e animus e, para os que estão lendo pela primeira vez e por algum motivo não retornarão a leitura, tentei neste tópico sintetizar de forma completa o conteúdo, lembrando que o assunto é muito extenso e não pode ser resumido em um texto. Para o leitor que sentir interesse na leitura do assunto, existe muita teoria que o envolve, podendo ser mais bem aprofundado nas bibliografias de Carl Gustav Jung, ok?

Veja também:

Psicóloga Regiane Canoso estreia coluna quinzenal no Ciência Diária
Relacionamento entre masculino e feminino: arquétipos, relação entre homens e mulheres e seres “andróginos”
– Aspectos psicossociais e psíquicos da constituição do masculino e do feminino no desejo por filhos

Regiane Canoso é psicóloga e estreia sua coluna quinzenal no Ciência Diária a partir de hoje.Regiane L. C. Lopes é psicóloga, especializada em psicologia junguiana e psicologia hospitalar. Assina esta coluna quinzenalmente. Caso tenha sugestões, críticas ou perguntas, mande um e-mail para rcanoso@cienciadiaria.com.br.