Uso de celular pode melhorar memória e reverter efeitos do Alzheimer

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07 Janeiro 2010 | 13h59

Ratos foram expostos ao mesmo nível de ondas eletromagnéticas que uma pessoa é exposta falando ao celular. Crédito: University of South Florida.

Ratos foram expostos ao mesmo nível de ondas eletromagnéticas que uma pessoa é exposta falando ao celular. Crédito: University of South Florida.

Estudo da University of South Florida, EUA, anunciou o que muita gente gostaria de ter ouvido faz tempo:  a exposição prolongada às ondas eletromagnéticas emitidas por telefones celulares pode proteger e até reverter o Mal de Alzheimer. Em ratos, experiências mostraram que a exposição ao celular no começo da idade adulta protege parte da memória, revertendo também prejuízos ocasionados pela doença em indivíduos velhos.

De acordo com os pesquisadores, as ondas eletromagnéticas geradas por telefones apagam depósitos de uma proteína beta-amiloide prejudicial ao cérebro, além de evitar acúmulo de proteína em ratos mais jovens. As placas no cérebro formadas pelo acúmulo de beta-amiloide é uma característica da doença, e o principal alvo dos tratamentos contra o Alzheimer.

O estudo procurou isolar os efeitos da exposição ao celular de outros fatores de estilo de vida, como dieta e exercício. Para o estudo, 96 ratos foram usados, a maioria geneticamente transformado para desenvolver as placas de beta-amiloide e problemas de memória – induzindo ao Alzheimer. Alguns deles, entretanto, não tinham nenhuma predisposição genética para a doença, de forma que os cientistas pudessem avaliar os efeitos das ondas eletromagnéticas na memória saudável também.

Tantos os ratos normais como os ratos com Alzheimer foram expostos ao campo eletromagnético gerado pelo uso de celular duas vezes ao dia, durante uma hora, por até nove meses. Como não era possível desenvolver aparelhos minúsculos, os pesquisadores colocaram as gaiolas em volta de uma antena central, que gerava o sinal do telefone celular. Todos os animais foram colocados na mesma distância e expostos às mesmas ondas eletromagnéticas normalmente emitidas por um telefone celular pressionado contra uma cabeça humana.

O resultado foi surpreendente: ratos com Alzheimer que sofriam de perda de memória tiveram a capacidade cognitiva protegida e a perda de memória desapareceu. Meses de exposição celular ainda impulsionou a memória de ratos saudáveis acima dos níveis normais.

Tudo indica que campos eletromagnéticos possam ser uma forma efetiva, não invasiva e livre de prevenir e tratar o Alzheimer em pessoas. Por enquanto, os pesquisadores ainda estão tentando avaliar os conjuntos de frequências  que poderiam beneficiar a memória mais rápido. Uma vez que a produção de beta-amiloide e formação de placas ocorrem durante eventos traumáticos para o cérebro, particularmente em soldados que foram à guerra, o impacto de uma terapia baseada no uso de ondas eletromagnéticas poderia ir além do tratamento do Alzheimer.

Memória quentinha

Os pesquisadores verificaram que houve aumento da temperatura no cérebro durante a exposição às ondas eletromagnéticas em ratos com Alzheimer depois de meses de testes.  A suposição é de que isso tenha auxiliado na remoção das placas beta-amiloides.

A explicação para a melhora da memória em ratos saudáveis é de que as ondas eletromagnéticas tenham melhorado a atividade cerebral, promovendo bom fluxo de sangue e produção de energia no cérebro.

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