Vacina contra o vício em cocaína se mostra eficaz em roedores

Estratégia combina componentes de vírus e substância semelhante à cocaína para estimular anticorpos que "engolem" droga.

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04 Janeiro 2011 | 15h29

A cocaína é um alcaloide usado como droga com efeitos anestésicos e cujo uso continuado pode causar outros efeitos indejados como dependência, hipertensão arterial e distúrbios psiquiátricos. Crédito: Wikipedia.

A cocaína é um alcaloide usado como droga com efeitos anestésicos e cujo uso continuado pode causar outros efeitos indejados como dependência, hipertensão arterial e distúrbios psiquiátricos. Crédito: Wikipedia.

Pesquisadores da Weill Cornell Medical College produziram uma vacina contra o vício em cocaína que se mostrou eficaz em camundongos. Combinando pedaços de vírus do resfriado comum com uma partícula que imita a droga, a equipe conseguiu induzir uma imunidade anticocaína de longa duração, que poderia ser usada depois por dependentes para quebrar ou inverter o hábito. A estratégia também pode ser capaz de tratar outras dependências, como a da nicotina, heroína e outros opiáceos.

“Nossos dados mostram que somos capazes de proteger camundongos contra os efeitos da cocaína, e acreditamos que esta abordagem poderia ser muito promissora na luta contra o vício em humanos”, diz Ronald G. Crystal, principal pesquisador do trabalho. A resposta imune de anticorpos produzidos em animais pela vacina impede qualquer hiperatividade relacionada ao consumo da cocaína, pois “sequestra” as moléculas da droga antes que cheguem ao cérebro. O seu efeito dura por pelo menos 13 semanas.

Nenhuma vacina atualmente contra o vício de drogas é aprovada pela FDA (Food and Drugs Administration, órgão que regula o setor), embora a abordagem seja urgente em função do crescente problema de dependência química em todo o mundo.

A novidade deste tratamento é que a se utiliza uma substância química muito semelhante à estrutura da cocaína junto com componentes de um adenovírus. Desta maneira, o sistema imunológico humano pode ser alertado para um agente infeccioso (o vírus), aprendendo também a “ver” cocaína como um intruso. Uma vez que este intruso é reconhecido pelo organismo, o sistema imunológico elabora uma maneira de fazer com que anticorpos específicos engulam as moléculas de cocaína antes que cheguem ao cérebro.

Ratos que receberam a vacina se mostraram menos hiperativos depois de receberem a cocaína. O efeito foi observado até mesmo nos animais que receberam grandes doses repetidas da droga. Proporcionalmente, as doses de cocaína refletiam as mesmas quantidades que uma pessoa pode usar. De acordo com os pesquisadores, é provável que os testes comecem a ser realizados com seres humanos em pouco tempo, e que a estratégia beneficie mais pessoas que já são dependentes. “A vacina pode ajudá-los a largar o vício, porque se eles usam cocaína, uma resposta imune irá destruir a droga antes que ela atinja o centro do prazer no cérebro”.

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Vaccine against cocaine addiction proves to be effective in rodents