Vacina de DNA corta fornecimento de sangue para tumor

Método parece ser eficaz contra tumores de mama em roedores, indicando um caminho promissor na luta
contra o câncer.

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24 Maio 2010 | 12h55

Proteína conhecida como DLL4 foi recentemente identificada como um componente importante na regulação da formação de vasos sanguíneos.

Proteína conhecida como DLL4 foi recentemente identificada como um componente importante na regulação da formação de vasos sanguíneos.

E se fosse possível cortar o “alimento” de um câncer? Pensando assim, pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, desenvolveram uma vacina de DNA que restringe o fornecimento de sangue para tumores. Em testes com ratos, o método retardou o crescimento de tumores decorrentes de câncer de mama.

Maior do que alguns milímetros, um tumor precisa estimular a formação de vasos sanguíneos capazes de suprir o estoque de oxigênio e nutrientes para a sua manutenção.

Uma proteína conhecida como DLL4 foi recentemente identificada como um componente importante na regulação da formação de vasos sanguíneos. Quando um novo vaso sanguíneo começa a crescer a partir de um vaso existente, a DLL4 é expressa, impedindo que as células vizinhas constituam novos vasos. Se a expressão da DLL4 é bloqueada em um tumor, há um aumento na formação de vasos sanguíneos não-funcionais, que resultam no retardo do crescimento do tumor.

Os pesquisadores então desenvolveram uma vacina que age na DLL4, que causa uma resposta imunológica à proteína. A estratégia dificulta o crescimento do tumor, já que induz a criação de uma rede “apertada” de vasos sanguíneos não-funcionais e pobres em fornecimento de sangue. Melhor: a vacina não causa efeitos adversos nem afeta a capacidade de cicatrização em animais.

“Nós trabalhamos com tumores de câncer de mama, uma vez que muitas vezes eles expressam altos níveis de DLL4, enquanto o tecido mamário normal não”, explica Kristian Pietras, responsável pelo trabalho. “Esperamos ser possível utilizar a vacina para prevenir a recorrência do câncer de mama após intervenção cirúrgica”.

A vacina de DNA envolve a injeção de um fragmento de DNA que contém o gene para a proteína contra a qual se pretende atuar. Células do organismo absorvem a vacina temporariamente, aumentando a capacidade do sistema imunológico de reconhecer a ameaça.

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