Valsa diabólica: buraco negro mais distante da Terra é detectado "engolindo" estrela gigante

O mais distante buraco negro constatado até então tem também a segunda maior massa já identificada - cerca de 20 vezes a do Sol – e está “sugando” uma estrela.

root

28 Janeiro 2010 | 12h26

Imagem ilustra sistema observado pelo telescópio europeu. Crédito: ESO/L. Calçada.

Imagem ilustra sistema observado pelo telescópio europeu. Crédito: ESO/L. Calçada.

Astrônomos da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, detectaram o mais distante buraco negro constatado até então: está a aproximadamente seis milhões de anos-luz do Sol, na galáxia espiral NGC 300. O buraco negro, que também tem a segunda maior massa já identificada até hoje – cerca de 20 vezes a massa do Sol – está “sugando” uma estrela. As observações do telescópio europeu VLT (European Southern Observatory’s Large Telescope) revelam dados impressionantes.

A massa dos buracos negros encontrados na Via Láctea tem até dez vezes a massa do Sol e, apesar de não serem “café-com-leite” em relação aos demais objetos ao redor, perdem para outro buraco negro encontrado tem massa de até 15 vezes a do Sol fora da nossa galáxia. Este é um dos três únicos objetos desta proporção encontrados até agora.

Segundo o Paul Crowther, professor de astrofísica da Universidade de Sheffield e autor do artigo que anuncia a descoberta, esta é a mais distante massa estelar de um buraco negro pesado até então, e o primeiro a ser visto fora da nossa vizinhança.

O “futuro parceiro” do buraco negro, que está sendo engolido, é uma estrela Wolf-Rayet, com uma massa também 20 vezes maior que a do Sol. Este tipo de estrela está no fim, pronta para expulsar grande parte de suas camadas exteriores antes de explodir como supernova.

Segundo os dados obtidos, os dois objetos estão dançando em torno de si (como um ritual de morte), em períodos de 32 horas – por meio dos quais partes da “laranja” já estão sendo “descascadas” pelo buraco negro.  

Apenas um  sistema desse tipo foi visto anteriormente, mas a presença de uma estrela ao lado de um buraco negro não é um fenômeno desconhecido. Baseados nesses modelos, os astrônomos conseguem perceber a conexão entre a massa de um buraco negro e a química galáctica. Acredita-se que uma concentração maior de elementos químicos pesados influencia na evolução de uma estrela de grande massa, resultando em buracos negros menores quando a estrela finalmente entra em colapso.

Em menos de um milhão de anos, a Wolf-Rayet se transformará em supernova, tornando-se então parte do buraco negro. Caso o sistema sobreviva após uma segunda explosão, então dois buracos negros vão se fundir, emitindo grandes quantidades de energia sob a forma de ondas gravitacionais.

Veja também:

Astrônomos detectam explosão de supernova sem identificar emissão de raios gama
Descoberto novo tipo de “fóssil estelar” deixado por supernova
Explosão de estrela gigante indica presença de antimatéria no Espaço
Apenas 15% dos sistemas são como nosso no universo