Variação genética torna algumas mulheres menos férteis

Pesquisadores identificam anormalidades em receptores que se ligam ao hormônio folículo estimulante para sinalizar a alimentação do óvulo.

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29 Junho 2010 | 11h27

Imediatamente após a fecundação, as células foliculares glandulares que envolvem a célula reprodutora feminina retraem-se, liberta-se o conteúdo dos grânulos corticais formando a membrana de fecundação que não vai permitir a entrada de mais espermatozoides. Crédito: Wikipedia.

Imediatamente após a fecundação, as células foliculares glandulares que envolvem a célula reprodutora feminina retraem-se, liberta-se o conteúdo dos grânulos corticais formando a membrana de fecundação que não vai permitir a entrada de mais espermatozoides. Crédito: Wikipedia.

Cientistas descobriram que algumas mulheres carregam uma variação genética que as torna pouco férteis e menos propensas a responder a estímulos hormonais ovarianos durante o tratamento de fertilidade. A descoberta abre caminho para identificação precoce e tratamentos personalizados.

A pesquisadora Maria Lalioti aproveitou o 26º encontro anual da Sociedade Europeia para Reprodução Humana e Embriologia em Roma, Itália, para apresentar os resultados de seu trabalho na Universidade de Yale, nos EUA. Sua equipe constatou que mulheres com esta variante genética têm um receptor de hormônio anormal nas células que recobrem os óvulos. Isso faz com que elas não respondam adequadamente ao hormônio folículo estimulante (FSH), administrado no tratamento de fertilidade para induzir a produção de mais ovos.

Ao ser submetida ao tratamento de fertilidade, uma mulher recebe o hormônio folículo estimulante para produzir mais do que um oócito, o que é uma produção mensal normal. Células chamadas células granulosas, que recobrem o óvulo, recebem o “medicamento” e passam a excretar outros fatores que “alimentam” o ovo. Mas, para isso, elas devem possuir receptores de FSH que se grudam ao hormônio para sinalizar as atividades certas dentro da célula. Se estes receptores não funcionam direito, a probabilidade de conseguirem alimentar o óvulo adequadamente cai.


Os pesquisadores observaram que estas mulheres – geralmente mais novas do que 35 anos – com receptores de FSH anormais têm sequências de proteínas faltando, e que são importantes para fazer a ligação com o hormônio.  Mais: receptores anormais tendem a fazer receptores normais pararem de funcionar.

Mulheres com o problema têm ciclos menstruais normais e geralmente os médicos não conseguem identificar a razão para a falta de fertilidade. “Nossas descobertas explicam por que elas têm uma resposta menor ao FSH. Atualmente, FSH é o único medicamento usado para estimular a resposta ovariana, mas assim que outras drogas estejam disponíveis que consigam superar o problema do receptor, podemos testá-los nestas mulheres”, afirma Maria. A pesquisadora ainda ressalta que níveis baixos do hormônio poderiam melhorar o quadro.

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