Ossos de marsupiais pré-históricos em bom estado são encontrados

Preservação excepcional dos fósseis em caverna permitiu reunir todo o desenvolvimento de crescimento do Nimbadon bebê ao adulto.

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16 Julho 2010 | 16h48

Foram encontrados 26 crânios de marsupiais pré-históricos em incrível estado de conservação. Crédito: Karen Black.

Foram encontrados 26 crânios de marsupiais pré-históricos em incrível estado de conservação. Crédito: Karen Black.

A descoberta de uma caverna de 15 milhões de anos com ossos de animais ainda mais antigos na Austrália revela quase todo o ciclo de vida de marsupiais pré-históricos. Em uma descoberta sem precedentes, uma equipe da Universidade de New South Wales encontrou uma parte do local com centenas de fósseis muito bem preservados. 

“Este é um sítio fantástico e incrivelmente raro”, diz Karen Black, que está liderando a equipe. “A preservação excepcional dos fósseis permitiu reunir todo o desenvolvimento de crescimento do Nimbadon bebê ao adulto”. O Nimbadon é um gênero extinto da ordem Diprotodontia (que inclui os cangurus, gambás, coalas e outros) que existiu no Miocénico – quarta época da era Cenozóica, compreendida entre 23 e 5 milhões de anos atrás.  O animal se assemelharia fisicamente a uma ovelha, mas com enormes garras. 

“Até agora, 26 crânios – na faixa-etária de lactentes dentro de bolsa e jovens até adultos velhos – foram recuperados, bem como seus esqueletos”, ressalta Karen. A equipe ainda encontrou restos de cangurus de galope, primitivos bandicoots, uma raposa Thylacinus e morcegos. 

A comparação entre os crânios de diferentes indivíduos Nimbadon que morreram na caverna em diferentes fases da vida permitiu mostrar que aqueles animais se desenvolviam da mesma maneira que os marsupiais de hoje – provavelmente um mês de gestação e deslocamento até a bolsa da mãe para completar o desenvolvimento. 

O local também tem relevância científica, já que documenta um momento crítico na evolução da flora e da fauna na Austrália – quando uma vegetação abundante estava sendo substituída por um período longo de estiagem, reformulando o ecossistema da região. 

Entre as curiosidades, a equipe observou que no início da vida destes animais a ênfase recaia sobre os ossos da parte frontal do rosto, para ajudar o bebê a mamar na mãe. À medida que envelhecia, e a alimentação começava a mudar para folhas, o resto do crânio se desenvolvia com inúmeras câmaras ósseas envolvendo o cérebro. 

“Contudo, descobrimos que o seu cérebro era bem pequeno e parava de crescer relativamente cedo”, ressalta Mike Archer, membro da equipe. “Achamos que ele precisava de uma grande área de superfície de crânio para fornecer acessórios para todos os músculos necessários à mastigação de grandes quantidades de folhas”. Em termos populares, o animal se tornava um “cabeça de vento”. 

Os detalhes da descoberta, em um famoso campo em Queensland, foram publicados no Journal of Vertebrate Paleontology

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