Veículo subaquático alimentado por energia térmica é testado com sucesso

Engenhoca robótica usa águas para gerar energia térmica renovável, suficiente para o seu próprio gasto. Ideia pode ajudar monitoramento dos oceanos.

taniager

06 Abril 2010 | 02h09

Imagem do veículo subaquático autônomo SOLO-TREC lançado no oceano na costa do Havaí em 30 de novembro de 2009 para teste. Crédito: cortesia de NASA/JPL/U.S. Navy/Scripps Institute of Oceanography

Imagem do veículo subaquático autônomo SOLO-TREC lançado no oceano na costa do Havaí em 30 de novembro de 2009 para teste. Crédito: cortesia de NASA/JPL/U.S. Navy/Scripps Institute of Oceanography

Um veículo robótico subaquático alimentado por energia natural do oceano é capaz de gerar energia térmica renovável suficiente para seu próprio gasto. Embora não seja na verdade a tão idealizada máquina de movimento perpétuo, pois consome alguma energia do ambiente, os pesquisadores garantem que o protótipo pode monitorar continuamente o oceano sem um limite de vida imposto pelo fornecimento de energia.

Nomeado SOLO-TREC (sigla em inglês de Sounding Oceanographic Lagrangrian Observer Thermal RECharging) o robô já foi testado durante três meses a partir da data em que foi implantado pela equipe do Laboratório de Propulsão a Jato – JPL (sigla em inglês) – da NASA  e do Scripps Institution of Oceanography, da Universidade da California, EUA, em 30 de novembro de 2009, a cerca de 161 quilômetros a sudoeste de Honolulu, Havaí.

O SOLO-TREC usa um novo motor de recarga térmica alimentado pelas diferenças de temperatura natural encontradas em diferentes profundidades do oceano. Este avanço tecnológico promete uma nova geração de veículos oceanográficos capazes de monitoramento indefinido para estudos do clima e de animais marinhos, bem como para exploração e fiscalização.

O SOLO-TREC retira a energia térmica do oceano quando realiza a alternância entre as águas mornas na superfície e as condições mais frias na profundidade. A cera é a chave para o seu funcionamento, uma vez que ela é uma substância conhecida como material de mudança de fase. Este material foi colocado em 10 tubos externos com capacidade de armazenar o suficiente para permitir a geração de energia. Quando flutua na superfície morna do oceano, o material derrete e se expande, mas quando mergulha na profundidade de águas mais frias, ela solidifica e contrai. A expansão da cera pressuriza o óleo armazenado dentro da boia. Este óleo alimenta periodicamente um motor hidráulico que gera energia elétrica e recarrega as baterias do veículo. A energia das baterias recarregadas alimenta o sistema hidráulico de flutuação, que então muda o volume da boia (e, portanto, a sua capacidade de flutuar). Assim, o veículo se move verticalmente e mergulha para as águas frias.  

Pesando 84 quilos, o protótipo SOLO-TREC já completou mais de 300 mergulhos a partir da superfície do oceano a uma profundidade de 500 metros. Seu motor de recarga térmica produziu cerca de 1,7 watt-hora  de energia por mergulho, energia suficiente para operar os instrumentos científicos do veículo, um receptor GPS, dispositivo de comunicação e uma bomba de controle de capacidade de flutuação.

O avanço é significativo porque o sistema tem alcance ilimitado e resistência. É impossível vasculhar todo o oceano sem um sistema com autonomia quase ilimitada.  

Yi Chao, cientista do JPL e líder da equipe de pesquisadores, acredita que a nova tecnologia permitirá a medição e monitoramento do oceano e sua influência no clima.

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