Veneno de escorpião pode ajudar corpo a lutar contra câncer no cérebro

Ingrediente do veneno do escorpião Leiurus quinquestriatus permite que genes terapêuticos atuem de forma mais eficaz.

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12 Agosto 2010 | 00h55

Crédito: Commons Wikimedia - Ester Inbar.

Crédito: Commons Wikimedia - Ester Inbar.

Um ingrediente do veneno do escorpião Leiurus quinquestriatus pode ajudar pesquisadores a desenvolver um tratamento mais eficaz contra o câncer no cérebro. De acordo com uma equipe da Universidade de Washington, nos EUA, esta substância permite que genes terapêuticos atuem (ou seja, aqueles que conseguem agir em favor do organismo) de forma mais eficaz, atacando com mais agressividade células do câncer.

Em artigo publicado no jornal especializado ACS Nano, os pesquisadores mostraram que a terapia genética pode ser uma abordagem muito promissora contra o glioma – a mais comum e mais grave forma de câncer no cérebro. Embora se saiba que a terapia genética poderia “entregar” genes terapêuticos de uma forma bem mais específica, a maioria dos investigadores tem receios quanto à segurança do método.

A solução proposta pelos pesquisadores, então, é usar ingredientes-chave. No estudo em questão, a equipe administrou genes com a chlorotoxina – substância presente no veneno do escorpião deathstalker, que pode retardar a propagação do câncer no cérebro., e nanopartículas de óxido de ferro.

Experiências com roedores demonstraram que nanopartículas com o veneno poderiam induzir o dobro de expressão genética em células de câncer de cérebro. “Estes resultados indicam que o sistema de entrega de genes alvo podem potencialmente melhorar o resultado do tratamento da terapia genética para glioma e outros cancros mortais”, mencionam os autores no artigo.

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