Vírus reprogramado pode encontrar, modificar ou destruir células do câncer

Nova abordagem na terapia genética é capaz de utilizar mais do que uma proteína-chave para fazer com que vírus reconheça e se infiltre nas células mutantes.

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23 Abril 2010 | 13h03

Células do câncer crescem descontroladamente no organismo, diferente de células saudáveis sujeitas à morte celular programada.

Células do câncer crescem descontroladamente no organismo, diferente de células saudáveis sujeitas à morte celular programada.

Pesquisadores da Universidade de Leeds, no Reino Unido, desenvolveram um novo método que faz com que vírus procurem e destruam células do câncer no organismo. A novidade da técnica de terapia genética está no uso de mais de uma proteína alvo dentro de um vírus.

Para o experimento, os cientistas usaram marcadores específicos existentes na superfície das células cancerosas da bexiga. Proteínas-chave foram adicionadas ao vírus, de forma que ele reconhecesse e se infiltrasse nas células mutantes.

Por esta abordagem, o vírus é capaz de entregar genes que fazem com que a célula de câncer se torne mais sensível a drogas.  Além disso, é possível introduzir genes “suicidas” ou ainda que substituam genes que estão faltando ou que são defeituosos.

Quando testados em laboratório, o vírus conseguiu reconhecer e entrar nas células com estes marcadores. “As terapias genéticas têm sido ultrapassadas, e isso não quer dizer que elas não funcionem, apenas de que não encontraram a melhor forma de usá-las ainda”, diz John Chester, que liderou o estudo. “Nossa pesquisa aponta para um novo método de construção do vírus e, até então, com resultados promissores em laboratório. Precisamos agora testar essas terapias genéticas nos pacientes, para verificar se elas são tão eficazes contra o câncer, como nossa pesquisa sugere”.

Embora a equipe tenha se baseado em tumores da bexiga, uma abordagem semelhante poderá ser usada futuramente para outros tipos de câncer. Os pesquisadores propõem uma série de possíveis aplicações para o sistema: uma proteína alvo que reconhece uma variedade de tumores pode ser combinada com terapia genética com vírus, ou a adaptação de uma proteína alvo para um paciente específico.

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Pela análise de marcadores em um tumor de um indivíduo, seria possível adicionar uma proteína reprogramada, feita especificamente para aquele tipo de câncer.“Nós também descobrimos que nós estávamos limitados, usando apenas uma proteína alvo em cada vírus”, explica Chester.  “Conseguimos combinar o vírus com duas proteínas diferentes, de forma que ele pudesse atuar em diferentes marcadores nos tumores. Esta abordagem pode ser um passo além na terapia genética, particularmente porque é uma maneira rápida, fácil e barata de misturar e combinar proteínas alvo”.