Está estressado? NÃO vá pescar: melhor atividade pode ser o futebol

O futebol é o esporte coletivo mais apreciado do mundo. A prática de jogar uma "pelada" traz benefícios físicos e emocionais completos.

taniager

07 Abril 2010 | 16h24

Foto do estudo

Foto do estudo "Mulheres e o futebol". Crédito: cortesia de Mikal Schlosser

O futebol é o esporte coletivo mais apreciado do mundo. Reunir amigos para “bater uma bola” nas horas de folga é muito prazeroso para muita gente. Mas o que a maioria ainda não sabe, é que este esporte proporciona também benefícios físicos e emocionais completos. Por isso ele pode ser usado como um tratamento para combater doenças relacionadas ao estilo de vida.

Os homens e as mulheres mantêm-se saudáveis, física e emocionalmente, quando praticam este esporte. Esta prática aumenta a saúde e as habilidades físicas e sociais. Este é o resultado de estudos que envolveu 50 pesquisadores de sete países e que foram publicados no Scandinavian Journal of Medicine and Science in Sports ontem, seis de abril de 2010.

O projeto de pesquisa foi liderado pelos professores Peter Krustrup e Jens Bangsbo do Departamento de Exercício e Ciências do Esporte na Universidade de Copenhagen, Dinamarca. Os pesquisadores estudaram os aspectos fisiológicos, psicológicos e sociológicos nas pessoas que jogam o futebol recreativo e compararam com a prática do exercício de correr.


Durante três anos a pesquisa cobriu vários estudos de intervenção envolvendo homens, mulheres e crianças, que foram divididos em práticas de futebol, de correr e grupos de controle.

Jogar futebol resultou em efeitos físicos tão pronunciados quanto aqueles obtidos na prática da corrida, em alguns casos até melhores, para indivíduos destreinados na faixa de nove a 77 anos. Ficou claro que este exercício proporciona saúde em amplo espectro. Praticado duas ou três horas por semana, o futebol propicia adaptações cardiovasculares, metabólicas e muscular-esquelética significantes, independente do sexo, idade ou falta de experiência em jogar. Segundo Bangsbo, os efeitos podem ser mantidos por um longo período, mesmo com uma frequência reduzida de treinamento de uma a duas vezes por semana. Em uma série de aspectos, os exercícios feitos na prática do futebol parecem ser superiores aos executados no treinamento de corredores. Treinar futebol pode ser bom para tratar a hipertensão, e demonstrou ser claramente superior a uma estratégia de tratamento padrão de recomendações médicas tradicionais.

Além do benefício físico, a prática contém fatores motivacionais e sociais positivos que podem facilitar a tolerância e contribuir para a manutenção de um estilo de vida fisicamente ativo, explica Krustrup.

Um dos muitos aspectos do estudo foi o de analisar o nível de capital social adquirido por mulheres que corriam em grupos e as que jogavam futebol. Apesar de ambas as atividades serem praticadas em grupo, houve diferenças significativas na maneira como as esportistas interagiam e como consideravam os aspectos mais importantes do esporte em que estavam engajadas.  As corredoras estavam mais concentradas em si mesmas como indivíduos, enquanto as jogadoras de futebol se viam como uma parte da equipe. Tanto corredoras quanto jogadoras acreditavam que após o término da pesquisa seria mais fácil continuarem a se exercitar pela corrida. Mas não foi isso o que aconteceu. Um ano após o estudo, as jogadoras continuaram a jogar futebol, enquanto somente algumas corredoras mantiveram suas práticas.

O professor adjunto Laila Ottesen declarou que a descoberta mais importante foi a diferença na interação social e construção do “nós” –  histórias  construídas entre os membros do grupo, que podem impactar as possibilidades de adesão a longo prazo. Segundo ele, a adesão a uma prática está associada ao relacionamento com os indivíduos da equipe. Enquanto as corredoras pensavam na sua saúde, as jogadoras estavam mais comprometidas com a atividade em si, incluindo a diversão e em não deixar as colegas da equipe.

Outro estudo avaliou seis grupos de homens e mulheres destreinados no que diz respeito as suas experiências de “preocupação” e “relaxamento”. O resultado mostrou que todos os grupos apresentaram um elevado nível geral de relaxamento durante os exercícios de corrida e de jogo de futebol. Quanto ao índice de preocupação, não houve diferença entre jogadoras e corredoras, mas o nível de “preocupação” registrado nos grupos masculinos foi maior em homens corredores.

Os pesquisadores agora querem estender o estudo para examinar porque as experiências de jogadores e jogadoras de futebol são diferentes.