Árvore de Dinossauro

Árvore de Dinossauro

Luiz e Celina

20 Abril 2017 | 22h24

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Os dinossauros são as grandes estrelas da pré-história. Por mais de 230 milhões de anos, testemunharam transformações radicais da superfície terrestre: megacontinentes e oceanos que nasceram e morreram, cadeias de montanhas que se elevaram e glaciações que congelaram parte do mundo.

Eles assistiram à transformações da vida animal, ao nascimento das primeiras flores, e resistiram à terríveis extinções em massa.

De gigantes no passado às miniaturas emplumadas de hoje, os dinossauros ainda vivem, enfeitam e alegram toda a Terra, de um polo ao outro, dos desertos às mais altas montanhas.

Neste blog vamos mostrar porque sua existência nos fascina tanto, e porque conhecê-los é importante para nós.

Árvore de Dinossauro

Em 1842, o naturalista inglês Richard Owen percebeu que fósseis de três répteis gigantes descobertos na Inglaterra poderiam ser reunidos em um grupo de animais que ele nomeou Dinosauria (grafia original).

Sir Richard Owen

Sir Richard Owen, o homem que inventou a palavra “dinossauro”. Imagem: Wikipedia/Domínio Público

Megalosaurus, Iguanodon, e Hylaeosaurus foram os primeiros esqueletos a ganhar o nome de dinossauro.

Fragmento da mandíbula de Megalosaurus (30 cm)

Fragmento da mandíbula de Megalosaurus (30 cm), o primeiro dinossauro descoberto no mundo, por Buckland em 1824. Imagem: Wikipedia/Domínio Público.

Após 46 anos e, com muitos outros dinossauros encontrados, o geólogo Harry Seeley os organizou em dois grandes ramos de uma árvore, segundo a disposição dos três ossos da cintura (ílio, ísquio e púbis projetado para frente ou para trás).

Harry Seeley

Harry Seeley. Imagem: Wikipedia/Domínio Público.

De um lado ficaram os ornitísquios, herbívoros dotados de bicos, chifres e armaduras. Do outro, os saurísquios, de onde nasceram os gigantes pescoçudos e os poderosos predadores.

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Centenas de esqueletos foram coletados desde então, revelando novos modelos de dinossauros. Enquanto a árvore crescia, os paleontólogos multiplicavam seus ramos para reorganizá-los segundo o parentesco. A ideia era evidenciar como a evolução os havia projetado ao longo do tempo.

àrvore 2 Seeley

Por cerca de 130 anos, foi nos ramos dessa árvore que os paleontólogos organizaram, em quatro grupos principais, as quase mil espécies de dinossauros hoje conhecidas. Mas, como sabemos, nada dura para sempre…

Mudança colossal

Em março de 2017 (no mês passado!), um grupo de paleontólogos analisou 457 características anatômicas nos ossos de 74 esqueletos muito antigos, em um estudo jamais realizado com tantos dinossauros. Os herbívoros ornitísquios, desde sempre isolados na grande árvore, foram colocados próximos dos gigantes carnívoros, formando um novo ramo, o dos ornitoscélidos. Já os pescoçudos, sempre aparentados aos terópodes predadores, foram isolados com alguns dos pequenos e mais antigos representantes herrerasaurídeos, como nosso célebre Staurikosaurus.

Veja a nova árvore.

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E daí?

Daí que essa nova árvore propõe que os dinossauros evoluíram de um modo diferente do que vínhamos imaginando desde o século 19. Ela sugere até mesmo que os primeiros dinossauros surgiram em regiões do hemisfério norte, e não na América do Sul, como pensávamos há décadas. Esqueletos muito antigos, possíveis ancestrais das grandes estrelas, foram encontrados na Inglaterra e na Polônia. Se os dinossauros sul-americanos com 231 milhões de anos de idade eram, até o mês passado, considerados os mais antigos, a nova árvore estima que no hemisfério norte muitos de seus esqueletos já estariam fossilizados 16 milhões de anos antes. No entanto, ainda não foram  encontrados. A disputa está aberta, os paleontólogos é que vão nos dizer.

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Essa árvore ainda não é unanimidade entre os paleontólogos, mas é difícil acreditar que não será. As 21 características morfológicas exclusivas compartilhadas pelos ornitoscélidos, faz deles um ramo vigoroso na exuberante árvore dos dinossauros.

Árvores como essas são chamadas de filogenéticas. Elas são a melhor forma para representar e fazer compreender um dos mais admiráveis mistérios da natureza: a evolução biológica.

Vamos seguir juntos daqui em diante para aprendermos com os dinossauros tudo o que sua história de 247 milhões de anos tem para nos contar.

Para saber mais…

  1. G. Baron, D. B. Norman e P. M. Barrett. 2017. A new hypothesis of dinosaur relationships and early dinosaur evolution. Nature, 543, 501–506.
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