Espere um pouco aí…

Espere um pouco aí…

Luiz e Celina

05 Novembro 2017 | 15h12

Antes de começar a ler este post, abra uma nova janela na sua tela e faça uma pesquisa de imagens na internet. Divirta-se com elas por alguns minutos e depois volte aqui para continuarmos essa conversa. Digite assim na barra da pesquisa: “tiranossauro rex com penas” ou, em inglês, feathered T. rex.

Pois é, emplumaram até o maior dos tiranos. Você viu que, de um pesado casacão preto até penas espalhadas por um ponto e outro do corpo, muita gente anda ilustrando o nosso velho conhecido com penas. Mas por quê?


É porque os paleontólogos vêm encontrando muitos fósseis de dinossauros com penas e marcas de inserções de penas, dezenas de espécies, e alguns deles parentes próximos do rex, tiranossauróides como Guanlong, Yutyrannus e Xiangglanlong. Com tantos parentes emplumados, e penas na última moda durante os períodos Jurássico e Cretáceo, não demorou até que nosso amigo aparecesse completamente coberto com penas.
Acredite: as penas foram inventadas pelos dinossauros há pouco mais de 150 milhões de anos, muito antes que aprendessem a usá-las para voar. De fato, as primeiras plumas apareceram em dinossauros pequeninos e funcionavam como um casaco para manter o corpo aquecido. Mais da metade de toda a energia que consumimos é gasta na manutenção da temperatura. Tudo o que ajudar a reter calor é bem-vindo. Foi o caso dos pelos nos mamíferos e das penas nos dinossauros. Na temperatura ideal, as reações químicas que nos mantêm vivos ocorrem perfeitamente e, por isso, ela é tão importante.


No entanto, para animais como T. rex, com imenso volume corporal, a manutenção da temperatura acontecia simplesmente porque o animal era grande demais (12,3 metros e até 14 toneladas). Calor acumulado durante o dia, não era perdido totalmente durante uma noite de descanso. Sem evidências diretas de penas associadas aos seus fósseis, pairava a desconfiança se o gigante era mesmo emplumado. E as penas caíram.
O paleontólogo australiano Phill Bell e outros colegas trataram desse assunto. Estudaram fósseis das impressões da pele de um exemplar de T. rex, Wyrex, coletado em 2002 no estado de Montana, Estados Unidos. Os moldes mostraram aos paleontólogos apenas marcas de escamas. De penas, nenhum sinal.

Também estudaram marcas fossilizadas da pele de outros grandes dinossauros como Daspletosaurus, Tarbosaurus, Albertosaurus e Gorgosaurus, e concluíram que, também nesses grandes tiranossauróides, não havia penas, pelo menos nas partes do corpo onde a pele havia deixado sua impressão nas rochas.

Moldes da pele do T. rexWyrex”. (a) Cauda; (b-c) pescoço; (d-e) cintura; f-h, vértebras caudais. Linhas verdes representam marcas de veias.

Leia mais: http://rsbl.royalsocietypublishing.org/content/13/6/20170092

Não é impossível que os T. rex fossem emplumados enquanto filhotes – o que os ajudava na retenção do calor -, abandonando as plumas na vida adulta. Talvez tivessem apenas a região dorsal com penas, que se eriçavam na época do acasalamento ou nas disputas por territórios com outros machos, funções que apareceram antes das penas servirem para voar.

Até que os cientistas voltem com outras novidades, ficamos com essa explicação: T-rex vestido com penas, só se for em traje de verão, nada de casacão.

Pensando nas questões de parentesco, sabemos que no Brasil dinos emplumados são vários: Mirísquia, Manirraptora e Santanarráptor, entre outros. Este último que você vê abaixo representado (e bem vestido!) pelo paleoartista Felipe Elias.

Santanaraptor placidus