Vulcanismos, asteroides e dinossauros – parte 1

Vulcanismos, asteroides e dinossauros – parte 1

Luiz e Celina

13 Fevereiro 2018 | 16h00

Considerados por muitos como abomináveis manifestações da natureza, impactos de asteroides e grandes erupções vulcânicas, vez ou outra, instalaram tempos de calamidade na história recente. Uma dessas ocorreu em 1921 quando antes mesmo de atingir o chão da taiga no centro da Rússia, um meteorito com cerca de 150 metros de diâmetro explodiu ao chocar-se com a atmosfera, devastando 2 mil quilômetros quadrados de floresta. 1.842 anos antes foi a vez de uma erupção vulcânica. 79 d.C., o Vesúvio acordou após 200 anos de silêncio, lançando rochas incandescentes sobre Pompeia e Herculano na atual região da Campânia no sudoeste da Itália, tirando a vida de milhares de pessoas.

Eventos como esses ocorreram aos milhões no passado geológico, do mesmo modo destruindo florestas e milhões de animais, danificando por décadas os ecossistemas em imensas regiões. É o pulso da Terra viva, geologicamente ativa, privilégio quase exclusivo neste sistema solar. Mas, assim como matanças, também devemos a esses eventos a manutenção de um planeta habitável e a grande diversidade da vida.

O passado geológico

Já no passado profundo, milhões de anos atrás, o registro geológico guardou episódios que a história recente ainda não teve tempo de assistir. Vulcanismos fissurais – incomparavelmente mais poderosos que os eventos protagonizados pelos vulcões de hoje, despejavam camadas de lava com até quilômetros de espessura por regiões com o tamanho do Brasil. Chamadas hoje de províncias magmáticas, essas rochas são registros de vulcanismos fissurais que, por vezes, resultaram na fragmentação de um supercontinente inteiro.


Mas a Terra também recebeu visitantes alienígenas. Impactos de asteroides e cometas com 10 quilômetros de diâmetro, em segundos, entregavam na superfície terrestre centenas de bilhões de toneladas de rocha a uma velocidade de até 70 mil km/h!

Não é por menos que alguns desses eventos foram responsáveis por episódios da história da vida chamados pelos paleontólogos de extinções em massa, quando mais de 50% dos fósseis das espécies então viventes, desaparecem das rochas que, naquele tempo, estavam se formando nos continentes e oceanos de todo o mundo.

Províncias magmáticas

Veja no mapa as províncias ígneas onde hoje é possível encontrar as rochas derivadas das lavas expelidas durante os gigantescos eventos vulcânicos fissurais. Com elas chegavam à superfície dos continentes (em vermelho) e no substrato oceânico (em azul) o coquetel de gases que envenenavam a atmosfera e oceanos. Eram bilhões de toneladas de gás carbônico (CO2), metano (CH4), dióxido de enxofre (SO2), sulfeto de hidrogênio (H2S), ácidos clorídrico e fluorídrico, e muito mais. Por isso as extinções!

Dinossauros e os grandes eventos vulcânicos

Três dessas grandes províncias magmáticas estão ligadas a eventos de extinção que nos ajudam a contar a história dos dinossauros (destacadas em vermelho). A primeira delas, na Sibéria (trap siberiano), tem idade de 250 milhões de anos (Ma). A segunda, ocorrida 50 Ma mais tarde, CAMP (Central Atlantic Magmatic Province), deu início à fenda que, pouco mais tarde, despedaçou o supercontinente Pangea. Suas rochas são encontradas na América do Sul, África e América do Norte e têm 200 Ma de idade. E, finalmente, enquanto cruzava o Oceano Índico, a Índia atravessou um ponto quente no manto terrestre localizado sob sua superfície. O calor derreteu a crosta indiana e derrames de lava se prolongaram por 4 Ma, deixando na superfície da grande ilha os basaltos Deccan, com 66 milhões de anos (veja estas e outras províncias no mapa acima).

Visitantes alienígenas

Esses três eventos vulcânicos coincidem quase perfeitamente no tempo, com o impacto de três grandes asteroides. Suas crateras são ainda visíveis em três pontos das Américas – Araguainha (Brasil, 254 Ma), Manicouagan (Canadá, 212 Ma) e Chicxulub (México, 66 Ma) – evidenciam que efeitos de grandes impactos somaram-se aos gases que chegavam do interior da Terra (veja no mapa acima).

Se, por um lado, eventos como esse reduziam em 50, 70, 90% o número de espécies em toda Terra, por outro, deram à vida a oportunidade de criar novas espécies nos milhões de anos seguintes. É exatamente isso que o gráfico abaixo, construído com o número de espécies fósseis encontradas nas rochas nos mostra: após fortes quedas, longos tempos de reconstrução da diversidade.

Esses grandes eventos e idades coincidem com três momentos marcantes na história dos dinossauros: (1) o aparecimento dos primeiros répteis arcossauros, dos quais nasceram os primeiros dinossauros; (2) o desaparecimento de grandes répteis arcossauros que por milhões de anos oprimiram a diversidade dos primeiros dinossauros; e (3) a grande extinção sofrida pela maioria das linhagens de dinossauros.

É sobre esses três grandes eventos e como afetaram a evolução dos dinossauros que falaremos em nosso próximo post.

Leia mais e aprenda sobre vulcanismos e impactos de asteroides ocorridos no Brasil no tempo dos dinossauros em:http://www.livrariapanapana.com.br/index.php?menu=pesquisa_outros_detalhes&cod_tipo_produto=2&produtos=457 http://www.livrariapanapana.com.br/livro/55688287/dinossauros-e-outros-monstros