MENOS, POR FAVOR

MENOS, POR FAVOR

Herton Escobar

30 Janeiro 2012 | 14h32

FOTO: The Blue Marble/NASA

Belíssima frase do Gandhi, que acabo de encontrar num relatório da ONU:

“Earth provides enough to satisfy every man’s need, but not every man’s greed.”
Mahatma Gandhi

“A Terra oferece o suficiente para satisfazer todas as necessidades do homem, mas não todas as suas ganâncias.”

E nem precisa interpretar “ganância” como algo ruim … Pode até substituir “ganância” por “desejos” que o sentido da frase continua o mesmo.  Todo país e todo ser humano tem o desejo de se desenvolver, claro. De melhorar de vida, ser mais feliz, ter mais segurança, mais conforto. Mas é preciso reconhecer que há um limite para isso. E é preciso adequar nossos desejos a esse limite.

Se todo mundo (literalmente) tivesse um padrão de vida igual ao que os americanos e europeus têm atualmente, seriam  necessários vários planetas Terra para atender à demanda de recursos naturais e minerais. E como só há uma Terra disponível, o planeta entraria em colapso e a espécie humana entraria em sérios apuros.

Da maneira como está, com bilhões de pessoas ainda vivendo na pobreza, o consumo de recursos naturais já extrapola o que o planeta é capaz de repor naturalmente. Imagine então se todo mundo na África e na Ásia (incluindo os mais de 2 bilhões de chineses e indianos) vivesse como se vive nos EUA, consumindo quantidades absurdas de comida, água, solo, energia, madeira, minérios e produtos em geral. E lançando quantidades gigantescas de gás carbônico e poluentes na atmosfera e na natureza de uma forma geral. Seria uma catástrofe!

Eu já morei muitos anos nos EUA e reconheço que a qualidade de vida lá é excelente (apesar de preferir morar no Brasil assim mesmo). E entendo que muita gente tenha o sonho de viver como se vive lá. Mas é um sonho irreal, insustentável … porque o planeta simplesmente não tem condições de sustentar 7 bilhões de pessoas vivendo daquele jeito. Impossível. Se quisermos um mundo mais igualitário, sem diferenças tão gritantes entre ricos e pobres, teremos todos de ser menos gananciosos e aceitar como meta um padrão de vida mais sustentável  e menos consumista. Comprando menos, consumindo menos e poluindo menos.

Os países em desenvolvimento têm o direito (eu diria até o “dever”) de se desenvolver e melhorar a qualidade de vida de sua população, sem dúvida. Educação, alimentação e saúde de qualidade são imperativos. Mas é preciso buscar caminhos novos, mais realistas, mais equilibrados. Americanos e europeus têm de reconhecer que seus padrões de consumo atuais são insustentáveis. E nós, dos países em desenvolvimento, não podemos ter a ilusão de querer viver como eles. Com a mesma qualidade dos serviços de saúde e educação, sim. Com os mesmos padrões de consumo, impossível.

Se todo mundo quiser ser milionário, todo mundo vai acabar é pobre, na miséria, dependendo de um planeta morto para sobreviver. Mais qualidade e menos quantidade, já!

Abraços a todos.