A INTERNET SUBMERSA

A INTERNET SUBMERSA

Herton Escobar

18 Agosto 2010 | 16h45

Cable1

crédito: Greg’s Cable Map

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Quando você acessa um site inglês, hospedado na Inglaterra, como você acha que a informação chega do servidor de lá até o seu computador aqui? Pelo ar? Via satélite? Mágica digital? Telepatia?

Nada disso. Na verdade, ela viaja da maneira mais “tradicional” possível, via cabo.

Sei que parece uma pergunta/observação idiota, mas aposto que muita gente não sabe que há um emaranhado gigantesco de cabos de fibra ótica atravessando todos os oceanos e conectando todos os continentes da Terra, necessários para que a internet e outros serviços de telecomunicações funcionem. Imagine só!

Quando você baixa conteúdo de um site inglês, as informações atravessam fisicamente todo o Oceano Atlântico via cabo, de um computador na Inglaterra até o seu computador, na sua frente. Só que isso acontece à velocidade da luz … portanto as distâncias são absolutamente irrelevantes nesse caso. Se você baixa informações de um servidor da padaria da esquina ou de uma empresa de mergulho na Austrália, o tempo de viagem é exatamente o mesmo, para todos os fins práticos. Ou seja: instantâneo.

(A velocidade da luz, só para lembrar, é de 300 mil km por SEGUNDO no vácuo … dentro de uma fibra ótica ela é um pouco mais lenta, mas ainda assim, instantânea para todos os fins de utilidade humana. Segundo o site WolframAlpha, indicado pelo meu camarada Carlos Orsi, a distância em linha reta de Londres a São Paulo é de 9.471 km. Um “pacote de luz” contendo informações digitais e viajando por uma fibra ótica leva exatos 44,3 milisegundos para percorrer essa distância. Se fosse no vácuo, levaria 31,6 milisegundos. Uma diferença imperceptível.)

O mais doido é imaginar esse cabos dormindo no leito dos oceanos, milhares de metros abaixo da superfície, com peixes bizarros, polvos, caranguejos e outros seres das profundezas caminhando sobre eles. Imagine só!

Neste site é possível navegar por um mapa interativo de todos os cabos submarinos instalados no mundo. Entre lá e veja por onde trafegam as informações que você usa na internet.

(Para dar crédito a quem merece, descobri esse mapa graças ao Knight Science Journalism Tracker, um blog de jornalismo científico mantido por jornalistas ligados ao Knight Science Journalism Fellowships, programa do qual eu tive a honra de participar alguns anos atrás, no MIT. O Tracker, por sua vez, usou informações de um outro blogueiro da revista The Atlantic, que por sua vez cita um outro blog, de um professor da Carnegie Mellon University, chamado Infowarrior. …. Haja cabo submarino para transportar tanta informação!! Já pensou se a gente recebesse milhagem por conteúdo baixado na internet?)

Abraços a todos.