ALERTA VERMELHO (E BRANCO) NO CARIBE

ALERTA VERMELHO (E BRANCO) NO CARIBE

Herton Escobar

08 Dezembro 2010 | 11h21

Corais branqueados em Bonaire. (FOTO: Herton Escobar)

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BONAIRE, ANTILHAS HOLANDESAS, 8/12/2010

Mais uma notícia preocupante do sul do Caribe: O aumento da temperatura da água nos últimos meses causou um branqueamento em massa de corais na região.


O branqueamento ocorre quando os corais perdem as microalgas (chamadas zooxantelas) que vivem dentro de seus pólipos. São as microalgas que dão cor aos tecidos vivos corais, por isso eles ficam brancos sem elas. É como se a  sua “pele” ficasse transparente, permitindo ver o esqueleto calcário branco que está por baixo do tecido vivo.

Isso é um problema sério para os corais. E não apenas por questões estéticas. Eles dependem das microalgas para sua “alimentação”, pois são elas que fazem a fotossíntese necessária para produção química de nutrientes (igual fazem as plantas). Se ficarem sem microalgas por muito tempo, os corais simplesmente morrem de “fome”, desnutridos. (Para informações mais completas e técnicas, veja esta página do pesquisador Alvaro Migotto, do Cebimar/USP)

O branqueamento pode ter várias causas, naturais ou induzidas pelo homem: aumento de temperatura da água, excesso de radiação solar, poluição, doenças e outros fatores que causam stress aos corais. O dano pode ser permanente ou temporário, dependendo de quanto tempo levar para as condições voltarem ao normal e os corais recuperarem suas amigas zooxantelas.

Aqui em Bonaire, no sul do Caribe, as evidências do branqueamento estão por toda parte. Logo no meu primeiro mergulho, uma semana atrás, vi corais brancos por todos os lados (foto acima). Conversei com o pessoal local e me disseram que a temperatura da água chegou a 30 graus Celsius e permaneceu quente durante meses. Quente demais para os corais. Só nas últimas semanas a temperatura começou a cair. Agora está na casa dos 27 C, e parece que os corais vão se recuperar. Felizmente. Pelo menos a maior parte deles.

A bióloga Rita Peachey, do centro de pesquisas CIEE, estava aliviada. A sorte, segundo ela, foi que, ao mesmo tempo que a temperatura da água subiu, o tempo ficou nublado e choveu bastante, o que reduziu a incidência de radiação solar sobre os corais durante o pico do branqueamento. Assim, o stress foi reduzido. Se a insolação tivesse se somado aos efeitos da temperatura, o estrago teria sido muito maior. Como botar uma pessoa fraca e doente debaixo de um sol forte … É morte na certa.

Não sei qual é a extensão exata do branqueamento … se está ocorrendo em todo o Caribe ou apenas em regiões específicas. A pesquisadora Nancy Knowlton, do Instituto Smithsonian, especialista em recifes de coral, esteve em setembro no Panamá e me disse que a situação lá era crítica. O mapa abaixo, obtido do serviço Coral Reef Watch, da NOAA, mostra a situação do sul do Caribe no fim de outubro. Dá pra ver que a coisa não estava boa. (As cores representam níveis de risco de branqueamento, baseados na temperatura da água.)

Esse é um dos riscos associados ao aquecimento global para a biodiversidade marinha. Se a temperatura dos oceanos aumentar permanentemente, mesmo que apenas alguns graus, o branqueamento (que é um fenômeno natural ocasional) pode se tornar um problema crônico, levando a uma mortandade em masse de corais por todo o mundo.

Abraços preocupados a todos.

FONTE: http://coralreefwatch.noaa.gov/satellite/baa/index.html

FONTE: http://www.sciencedaily.com/releases/2010/09/100923104217.htm