AVISEM A ATMOSFERA: A MATA ATLÂNTICA SUMIU

AVISEM A ATMOSFERA: A MATA ATLÂNTICA SUMIU

Herton Escobar

03 Dezembro 2009 | 21h55


FOTO: Valéria Gonçalvez/AE — O tempo fechou para São Paulo

Nada como uma chuva forte para botar São Paulo de joelhos e nos lembrar de que tudo isso aqui um dia foi mata atlântica. Não faz muito tempo (míseros 500 anos), toda a região metropolitana de São Paulo era coberta de floresta tropical úmida … daquelas bem molhadas mesmo, sabe?

Em meio século de “desenvolvimento” nós arrancamos quase toda a cobertura vegetal nativa que tinha por aqui. Trocamos árvores por prédios, encapamos a terra com asfalto, canalizamos, poluímos e soterramos uma batelada de rios. A floresta foi embora, mas a atmosfera, infelizmente, não se deu conta disso. Continua mandando água aos montes lá de cima, como sempre fez, e vai continuar fazendo.

Para nossa infelicidade urbana, a maior parte da chuva que cai sobre São Paulo não é produzida localmente. Vem principalmente do oceano ou do interior do continente. Por isso, mesmo a gente tendo acabado com a mata atlântica local, continua a chover aqui como se fosse floresta. A diferença é que a água agora não tem mais terra para se infiltrar nem árvores para alimentar. Só tem asfalto, concreto e bueiros entupidos.

Resultado: uma selva de pedra debaixo d’água. Por que será?