Brasil turbina produção de mestres e doutores fora do eixo Rio-São Paulo

Brasil turbina produção de mestres e doutores fora do eixo Rio-São Paulo

País formou mais de 50 mil mestres e 16 mil doutores em 2014; aumento de 400% em comparação com 1996, segundo relatório inédito do CGEE, divulgado na reunião anual da SBPC em Porto Seguro. Crescimento foi expressivo em Estados fora do Sudeste.

Herton Escobar

06 Julho 2016 | 06h00

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Enviado especial / Porto Seguro (BA)

O número de mestres e doutores formados no Brasil aumentou mais de cinco vezes (401%) desde 1996, e grande parte desse crescimento vem ocorrendo fora do eixo Rio-São Paulo, segundo um diagnóstico da pós-graduação brasileira divulgado ontem pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), uma organização de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Em 2014, ano mais recente avaliado no estudo, o Brasil formou 50,2 mil mestres e 16,7 mil doutores, comparado a 10,4 mil e 2,8 mil, respectivamente, em 1996. Se forem considerados os dez últimos anos desse período (2004-2014), o aumento no número total de titulados foi de 92%. A idade média da titulação caiu, em ambos os casos, e a empregabilidade dos egressos aumentou, especialmente no setor empresarial. A taxa de emprego formal de mestres é de 66% e a de doutores, 75%.


Mais do que um simples crescimento do sistema, os dados revelam uma forte tendência de desconcentração da pós-graduação no País, com expressivo crescimento do número de programas e de alunos titulados em instituições fora da região Sudeste. São Paulo e Rio de Janeiro continuam sendo os principais centros de formação de cérebros no Brasil, mas viram sua hegemonia diminuir frente ao crescimento dos outros Estados. Se em 1996 eles concentravam 58% da titulação de mestres e 83% da titulação de doutores, em 2014 esses índices encolheram para 37% e 49%, respectivamente.

“Os dados são impressionantes. É uma bela prestação de contas do que foi feito com os investimentos em pós-graduação e formação de pessoal no Brasil nesse período”, disse a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader. O relatório foi apresentado na reunião anual da entidade, que ocorre nesta semana no campus da Universidade Federal do Sul da Bahia em Porto Seguro.

Pernambuco, Bahia, Distrito Federal, Ceará, Paraíba e Goiás são exemplos de Estados que aumentaram sua contribuição na área de forma mais expressiva, respondendo individualmente por mais de 2% dos mestres e doutores formados no País em 2014.

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“A taxa de crescimento é espetacular”, disse o diretor do CGEE, Antonio Carlos Galvão. “E é um crescimento decentralizado, que está ocupando novas áreas.” Ele atribui o salto a uma combinação de políticas públicas implementadas ao longo do período, incluindo a abertura de novas universidades, novos cursos, aumento de bolsas e outras formas de incentivo à formação de mestres e doutores fora do eixo Rio-São Paulo — tanto no setor público quanto no privado. Desde 1996, o número de programas de pós-graduação oferecidos no País aumentou mais de 200%, segundo o relatório.

A má notícia é que isso ainda é pouco para o tamanho da população brasileira. A taxa nacional é de 7,6 doutores para cada 100 mil habitantes, comparado a 41 no Reino Unido, mais de 20 nos Estados Unidos e 13, no Japão. Dentro do Brasil, o Distrito Federal é a unidade da federação que mais forma mestres e doutores, relativamente ao tamanho de sua população, seguida do Rio Grande do Sul.

A íntegra do relatório está disponível neste link, com ferramentas de busca e pesquisa: https://www.cgee.org.br/web/rhcti/mestres-e-doutores-2015

A apresentação do diretor do CGEE, com os destaques do estudo, está aqui: https://goo.gl/UjxG67

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