CÉREBRO DE FERRO

Herton Escobar

20 Agosto 2009 | 23h04

Hoje vi, pela terceira ou quarta vez, uma palestra do nosso neurocientista Miguel Nicolelis. O cara é realmente muito bom, apesar de ser palmeirense. (já sei que vou me arrepender dessa piada futebolística, mas enfim, vamos lá …)

Para quem não sabe, Nicolelis foi o primeiro a conceber um modelo funcional de interface cérebro-máquina. O que significa isso? Imagine se você enfiasse um eletrodo no seu cérebro, conectasse esse eletrodo a um cabo, plugasse esse cabo num braço robótico e então fosse capaz de comandar os movimentos desse braço robótico só com o pensamento, sem mexer um único músculo de verdade. Pois então, foi isso que ele fez — primeiro com macacos e mais tarde, com seres humanos.

O que ele propõe fazer com isso agora? Nesse exato momento, um colega de Nicolelis está construindo em Munique, na Alemanha, uma espécie de “exoesqueleto” neural que permitirá a pacientes vítimas de lesões modulares movimentar seus membros apenas com o “poder da mente”. Seria como uma roupa de astronauta, comandada pelo cérebro. Em vez do paciente mover o próprio corpo, ele movimentaria a roupa…. e o corpo iria junto, por dentro. Como se vestisse um robô.

Tudo bem que ninguém vai levantar da cadeira de rodas e sair jogando basquete por aí. Mas imagine a revolução que seria para um paraplégico poder caminhar ou pegar um copo d’água por conta própria. Simplesmente fantástico.

Dizem que o Nicolelis um dia vai ganhar o Nobel. Por enquanto, é pura especulação. Mas quem sabe. Viva o palmeirense.