Cérebros transparentes, literalmente

Cérebros transparentes, literalmente

Herton Escobar

10 Abril 2013 | 16h11

Esse vídeo (ou melhor, a técnica que ele demonstra) é uma das coisas mais impressionantes que já vi nos meus quase 15 anos de jornalismo científico. De arregalar os olhos e tirar o fôlego.

Não tive tempo de ler o trabalho ainda, então não vou entrar em detalhes por enquanto, mas o resumo da ópera é esse: Cientistas da Universidade Stanford, nos EUA, desenvolveram um método para tornar órgãos transparentes (literalmente!). Paradoxalmente, isso permite enxergar as estruturas internas do órgão em grande detalhe, sem precisar cortá-lo, picá-lo, fatiá-lo, macerá-lo ou qualquer coisa do tipo. Na íntegra, 3D, intacto, com tudo no seu devido lugar.

Como? O vídeo mostra alguns exemplos da utilização da técnica em cérebros de camundongos. Usados moléculas marcadoras fluorescentes, é possível “colorir” células específicas dentro do órgão, permitindo visualizar sua estrutura interna quando iluminada com luzes de uma determinada frequência. Imagine só!

O trabalho que descreve a técnica, chamada CLARITY, saiu publicado na edição de hoje da revista Nature. Para mais detalhes imediatos, veja a reportagem no site da revista.

Imagem divulgada pelos pesquisadores mostra um cérebro de camundongo “normal” (a) tornado transparente (b) pela nova técnica. A frase ao fundo, do neuroanatomista espanhol Ramon y Cajal, diz: “O cérebro é um mundo composto de vários continentes inexplorados e grandes extensões de território desconhecido”. Pelo menos agora as coisas estão ficando um pouco mais claras!

Credit: Kwanghun Chung and Karl Deisseroth, Howard Hughes Medical Institute/Stanford University