Cientistas apresentam braços artificiais controlados pelo cérebro

Cientistas apresentam braços artificiais controlados pelo cérebro

Novas próteses (ainda experimentais) possuem eletrodos conectados ao sistema nervoso do usuário, capazes de receber e enviar informações táteis para o cérebro. Uma delas se acopla diretamente ao osso do braço, por meio de um encaixe metálico

Herton Escobar

08 Outubro 2014 | 20h43

Paciente amputado sueco com a prótese que se acopla diretamente a uma haste de titânio implantada no seu braço. Os eletrodos que lhe permitem controlar a prótese passam por dentro da haste e através do osso para se conectar aos nervos da musculatura. Foto: Ortiz Catalan et al., Science Translational Medicine, 2014

Imagine um braço artificial para amputados que pudesse ser acoplado diretamente ao esqueleto e conectado eletronicamente ao sistema nervoso do paciente, permitindo a ele não só mover e controlar a prótese de maneira muito mais cômoda e refinada, mas também sentir os objetos que toca com sensibilidade aguçada — a ponto de poder pegar um ovo, segurá-lo e balançar o braço de um lado para o outro sem quebrá-lo.

Um protótipo desse braço já existe, e vem sendo usado com sucesso há mais de um ano por um paciente voluntário na Suécia, segundo um trabalho publicado na edição desta semana da revista Science Translational Medicine.

“Usamos a técnica de osseointegração para criar uma fusão estável de longo prazo entre homem e máquina, integrando-os em diferentes níveis”, diz o autor principal das pesquisa, Max Ortiz-Catalan, em um texto divulgado pela Universidade de Tecnologia Chalmers, em Gotemburgo.

Neste vídeo é possível ver o paciente (um motorista de caminhão no norte da Suécia, que teve o braço direito amputado acima do cotovelo dez anos atrás) realizando várias tarefas manuais: http://youtu.be/Z3uE4bRSkMc

Ele tira e coloca a prótese com a mesma facilidade de alguém que encaixa e desencaixa a broca da ponta de uma furadeira. Os eletrodos implantados na musculatura, que lhe permitem controlar a peça, estão embutidos numa haste de titânio que foi parafusada ao osso do seu braço (semelhante ao que se faz com implantes dentários). Nesse sentido, é como se ele estivesse “plugando” eletronicamente a prótese ao braço, e não apenas encaixando-a mecanicamente, para então controlá-la com o cérebro.

Em outro artigo publicado na mesma edição da Science Translational Medicine, pesquisadores de Cleveland, nos EUA, apresentam os resultados experimentais de uma tecnologia semelhante, em que as próteses não são fixadas ao osso, mas também possuem eletrodos implantados no braço que, associados a um software de processamento de informações sensoriais, proporcionam uma sensibilidade tátil muito mais refinada ao usuário. Segundo os pesquisadores, dois pacientes voluntários que utilizaram as próteses por longos períodos foram capazes de executar tarefas delicadas, como arrancar os “cabinhos” de cerejas, e identificar diferentes formatos e texturas de objetos (por exemplo, diferenciando entre uma lixa e um chumaço de algodão), apenas com a sensação artificial de tato proporcionada pela prótese (sem olhar para os objetos).

Neste vídeo da Case Western University, é possível ver um dos voluntários, Igor Septic, utilizando a prótese para manipular e sentir objetos: http://youtu.be/l7jht5vvzR4

Imagine só!