Cientistas declaram ‘estado de vigília’ pela ciência nacional

Cientistas declaram ‘estado de vigília’ pela ciência nacional

Academia Brasileira de Ciências e outras lideranças estão preocupadas com uma eventual troca de comando no MCTI, o que poderia agravar ainda mais a crise do setor, duramente afetado pela crise econômica

Herton Escobar

01 Outubro 2015 | 11h45

De olho na ciência. Foto: Marcio Fernandjes/Estadão

De olho na ciência. Foto: Marcio Fernandjes/Estadão

Dez organizações científicas, incluindo a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), lançaram um manifesto ontem, declarando-se em “estado de vigília” pelo futuro do sistema de ciência, tecnologia e inovação no País, duramente impactado pela perda de recursos nos últimos dois anos.

Veja a reportagem: Ciência brasileira entra em crise com perda de recursos

Não bastasse o aperto fiscal, as entidades temem agora perder o ministro Aldo Rebelo na reforma ministerial, o que poderia causar uma ruptura ainda maior na continuidade de programas e políticas do setor. A indicação de Rebelo para o MCTI causou polêmica no início do ano, pelo fato de ele já ter batido de frente com cientistas no passado, na discussão de temas como o Código Florestal e as mudanças climáticas (Veja a matéria: Novo ministro da ciência negou o aquecimento global). Por outro lado, Rebelo é uma figura forte politicamente dentro do governo e do Congresso, algo que muitos consideram mais valioso para o cargo do que um currículo acadêmico, especialmente nas atuais circunstâncias.

Veja abaixo a íntegra da nota, divulgada no site da SBPC:

 

Vigília pela Ciência, Tecnologia e Inovação

Reunidas hoje em Brasília, entidades que representam a Ciência, a Tecnologia e a Inovação no País, colocam-se em estado de vigília e alertam sobre o risco de instabilidade e descontinuidade das ações estruturantes em andamento
As instituições representativas do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação constituídas pelos setores acadêmico, tecnológico, empresarial, sociedade civil organizada, bem como secretarias estaduais de ciência e tecnologia e fundações de amparo à pesquisa, reunidas hoje, em Brasília, declaram-se em estado de vigília pela preservação da agenda de ciência, tecnologia e inovação, que possibilite o desenvolvimento econômico e social com sustentabilidade, consistência, competitividade e capacidade de autodeterminação para toda a nação.
É imperativo que seja evitada a instabilidade e a descontinuidade das ações estruturantes em andamento e aquelas pactuadas com o governo federal, por intermédio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O Sistema não suporta mais alterações frequentes na gestão do Ministério, com repercussões em programas e políticas estratégicas.
Brasília, 30 de setembro de 2015
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência  (SBPC)
Academia Brasileira de Ciências (ABC)
Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação (ABIPTI)
Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (ANPROTEC)
Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (ANPEI)
Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (ABRUEM)
Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES)
Associação Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia (FORTEC)
Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP)
Conselho Nacional de Secretários para Assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação (CONSECTI)

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