CORRIDA DE PRÓTONS

CORRIDA DE PRÓTONS

Herton Escobar

25 Março 2010 | 19h00

LHC-collision

Cientistas do Large Hadron Collider (LHC, ou Grande Colisor de Hádrons, em português), o maior e mais caro experimento científico de todos os tempos, anunciaram esses dias que quebraram seu primeiro recorde científico: aceleraram um feixe de prótons a 3,5 trilhões de eletronvolts (TeV), a maior energia já obtida num acelerador de partículas até agora.

Não se preocupe em entender agora o que são 3,5 trilhões de eletronvolts…. Só imagine o seguinte: Isso é só o começo. Os caras tão só aquecendo os motores por enquanto (na verdade, esfriando os motores, pois a temperatura dentro dos túneis em que os elétrons viajam é de -271 C). Quando estiver funcionando “full power”, o LHC vai acelerar prótons a 7 trilhões de eletronvolts, o que significa, como uma luz no fim do túnel, que esses elétrons estarão viajando muito próximo (99,99%) à velocidade da luz (cerca de 300 mil km por SEGUNDO).

E para entender o que isso significa, aqui vai um trecho resgatado de um artigo que eu escrevi dois anos atrás, quando o LHC foi inaugurado … (felizmente as leis da física não mudaram desde então, por isso não vi necessidade de reinventar a roda):


“O LHC é formado por um anel de 27 km de circunferência, dentro do qual aglomerados de prótons serão acelerados a 99,99% a velocidade da luz. (Os prótons, para quem não se lembra, são aquelas partículas de carga positiva que ficam dentro do núcleo dos átomos, agarradinhos com os nêutrons.)

Isso é tão veloz, mas tão veloz, que, quando a máquina estiver funcionando a todo vapor, cada próton dará 11 mil voltas por segundo no anel. Dá para imaginar o que é isso?

Pois bem: imagine que o próton é um carro de corrida e o anel do LHC é um daqueles circuitos ovais, com 27 km de pista. A 99,99% a velocidade da luz, esse carro estará viajando a uma velocidade tão alta, mas tão alta, que se você ficasse parado na beira da pista observando uma corrida ele passaria por você 11 mil vezes em um único segundo!

Dá para imaginar uma coisa dessas? Eu mesmo tive de reler esse cálculo do Cern algumas vezes para ter certeza de que eles não tinham digitado um “mil” a mais depois do 11. Mas é isso mesmo: 11 MIL voltas por segundo num circuito de 27 km de extensão.”

Imagine só!

O próximo passo agora é fazer dois feixes de prótons colidirem cara-a-cara dentro do túnel, correndo em sentidos opostos na “pista de corrida”. Não é uma tarefa fácil…. afinal, estamos falando de partículas atômicas!, e não de carros de corrida. Fazer dois prótons colidirem dentro do acelerador é como “atirar dois alfinetes, um de cada lado do Atlântico, de modo que eles se choquem, ponta com ponta, no meio do oceano”, segundo comparou Steve Myers, diretor de aceleradores e tecnologia do CERN (o laboratório europeu que opera o LHC).

A primeira tentativa de colisão será feita agora, no dia 30. Preparem-se! Vai ser uma pancada e tanto! Ou não….

Abraços a todos.

Esquema do anel subterrâneo de 27 km, dentro do qual os prótons são acelerados. FOTO: CERN

Esquema do anel subterrâneo de 27 km, dentro do qual os prótons são acelerados. FOTO: CERN