Corrupção é problema sistêmico e cultural na política brasileira

Corrupção é problema sistêmico e cultural na política brasileira

Especialistas da Universidade de São Paulo falarão sobre o tema amanhã, no segundo encontro da série USP Talks. Evento é gratuito, aberto ao público, e será transmitido ao vivo pelo YouTube; começando pontualmente ao meio-dia, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista 2073).

Herton Escobar

24 Maio 2016 | 10h32

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A corrupção está presente em todos os sistemas políticos e todas as sociedades do mundo, mas no Brasil tem o diferencial de ter se tornado um fenômeno “de natureza sistêmica”, profundamente enraizado na experiência política e social do país, segundo o pesquisador José Álvaro Moisés, diretor científico do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas (NUPPs) da Universidade de São Paulo. O problema, diz ele, não é apenas econômico ou institucional, mas também cultural — e precisa ser encarado também nesse plano para ser resolvido.

“Só recentemente estamos caminhando na direção da criação de um sistema de integridade no país que reconhece a existência da corrupção e prevê mecanismos de verificação, controle e punição do fenômeno”, diz o pesquisador, que será um dos palestrantes do segundo evento da série USP Talks, que acontece amanhã ao meio-dia, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista 2073), sobre o tema “Corrupção: De onde vem e como acabar com ela?”.

O projeto é fruto de uma parceria entre a Universidade de São Paulo e o jornal O Estado de S. Paulo, com apoio da Livraria Cultura, que propõe trazer especialistas da comunidade acadêmica para conversar com a sociedade sobre temas de importância do noticiário nacional. O evento é gratuito, aberto ao público e será transmitido ao vivo pelo canal do USP Talks no YouTube: https://goo.gl/6npyAN.

Gustavo Justino de Oliveira, professor da Faculdade de Direito da USP, especialista em Direito Administrativo e responsável pela recém-criada disciplina de pós-graduação Corrupção na Administração Pública, será o outro palestrante do dia. “A corrupção perpassa os mais variados níveis e espécies de estruturas, tanto públicas quanto privadas”, diz o advogado, que vai explorar em sua apresentação as causas do problema e as estratégias mais eficientes para combatê-lo. Segundo ele, a corrupção não é apenas sistêmica, mas também endêmica — e até mesmo contagiosa. “Nesse esteio, aqueles que entram em contato com esse ambiente tendem a ser contaminados”, diz. Segundo ele, o Brasil já possui leis capazes de combater a corrupção, mas falta implementá-las com rigor e eficiência.

“No Brasil nenhum partido politico detém o monopólio da corrupção, mas o partido que está no poder tem o dever de combatê-la”, conclui Oliveira. A operação Lava Jato, segundo Moisés, é um sinal que é possível enfrentar o problema e “mudar essa cultura política”.

O USP Talks é realizado na última quarta-feira de cada mês. Cada palestrante falará por 15 minutos, e na sequência haverá 30 minutos para debate com a plateia.

Saiba mais sobre os palestrantes:

José Álvaro Moisés é professor titular do Departamento de Ciência Política e diretor científico do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas (NUPPs), responsável pela Corrupteca — um biblioteca digital internacional de pesquisas sobre corrupção, que conta com parceria com Estadão.

Gustavo Justino de Oliveira é professor da Faculdade de Direito da USP e coordenador da disciplina de pós-graduação “Corrupção na Administração Pública”, criada no final de 2015.

Para mais informações sobre o USP Talks, curta a página do projeto no Facebook: https://www.facebook.com/usptalks/