CRIOSFERA RENOVADO

CRIOSFERA RENOVADO

Herton Escobar

07 Janeiro 2013 | 20h44

FOTO: Heitor Evangelista

Quatro pesquisadores brasileiros voltaram na semana passada de mais uma expedição ao interior da Antártica. A primeira delas, um ano atrás, foi para instalar o módulo Criosfera 1, uma estação meteorológica autônoma de pesquisa. A segunda, concluída agora no dia 4 de janeiro, foi para a instalação de novos equipamentos e manutenção do módulo. Os pesquisadores chegaram lá por meio de um avião com esquis (foto acima).

A equipe, formada por Heitor Evangelista (Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ), Marcelo Sampaio e Heber Passos Reis (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE) e Franco Villela do Instituto Nacional de Meteorologia (Instituto Nacional de Meteorologia – INMET), passou mais de três semanas na Antártica, incluindo 21 dias acampada junto ao Criosfera 1, a 84 graus de latitude sul, onde a temperatura média nessa época chega a bater nos 25 °C negativos.


Mas pode ficar bem mais frio do que isso … Ao chegar ao módulo e checar seus dados meteorológicos, os pesquisadores descobriram que no auge do inverno (julho/agosto) a temperatura chegou a 65 °C negativos!

Evangelista me disse por email que foram instalados novos sensores de temperatura e novos sistemas de coleta de aerossóis atmosféricos. Algumas peças do transmissor de dados via satélite também foram alteradas. (O módulo foi projetado para funcionar de forma autônoma, enviando seus dados via satélite rotineiramente para o Inpe, no interior de São Paulo … onde é bem mais quentinho para trabalhar, rs.)

Por que, então, a temperatura de -65 °C só foi registrada agora pelos cientistas? Evangelista explica: “Durante o inverno tivemos problemas com o sistema eólico que é a base do fornecimento de energia do módulo. Temos um sistema automático no Criosfera 1 que corta a transmissão de dados e outros sistemas auxiliares quando há uma perda de fornecimento de energia; assim os dados foram coletados e não transmitidos. Este sistema funcionou perfeitamente. No próximo verão pretendemos instalar novos geradores eólicos (desta vez de eixo vertical) e resolver o problema de fornecimento de energia no inverno. Esta questão é bastante complexa para todos os grupos de pesquisa que desejam excluir o uso de combustível fóssil, o que é o nosso caso.”

Imagine só!