DÁDIVA DIVINA, SÓ SE FOR O SOL

DÁDIVA DIVINA, SÓ SE FOR O SOL

Herton Escobar

01 Setembro 2009 | 11h08

Foto do Sol feita pelo telescopio SOHO, da Nasa

O presidente Lula disse ontem que o petróleo do pré-sal era uma “dádiva divina”. Será mesmo? Em plena crise climática global, quando o que todo mundo mais quer é se livrar dos combustíveis fósseis e desenvolver novas fontes renováveis de energia, tenho uma certa dificuldade em enxergar isso.

Do ponto de vista econômico e energético, pode até ser. Mas do ponto de vista ambiental e da sustentabilidade, é uma tragédia.

Se tem alguma coisa que pode ser chamada de “dádiva de Deus” é o Sol. Esse, sim, é uma fonte inesgotável de energia 100% limpa e 100% renovável que brilha sobre as nossas cabeças todos os dias, mas que, não sei por que, nunca recebeu a atenção que merece em termos de ciência e tecnologia.

Os críticos dirão que a energia solar ainda é cara e pouco eficiente. Verdade. Mas imagine só: Se alguém dissesse 15 ou 20 anos atrás que o Brasil iria extrair petróleo em alto-mar, a 7 mil metros de profundidade, seria chamado de louco. Certamente um empreendimento dessa magnitude não poderia ser realizado no Brasil — não de maneira economicamente viável. Mas não é que aconteceu? Investimos pesado em ciência e tecnologia, fortalecemos a Petrobras, e hoje somos um dos países mais avançados do mundo na exploração de petróleo em águas profundas.

Por que não podemos fazer o mesmo pela energia solar?

Não digo que o pré-sal não deva ser explorado. As energias renováveis ainda precisam de tempo para amadurecer, e por isso vamos precisar do petróleo por pelo menos mais alguns anos ou décadas, infelizmente. Mas bem que a gente poderia desviar parte dessa grana do pré-sal para pesquisas com energia solar e eólica não é? 10% já tava bom. E não precisa nem molhar os pés.