Em busca dos sapos perdidos

Em busca dos sapos perdidos

Livro conta a história da busca por espécies desaparecidas de anfíbios ao redor do mundo. No Brasil, nenhuma foi reencontrada ainda.

Herton Escobar

11 Setembro 2014 | 20h06

Foto: Um sapo-de-vidro miniatura (um sapo de verdade, chamado “de vidro” por causa da transparência de sua pele na barriga). Crédito: Robin Moore/Copyright

Os anfíbios são os animais mais ameaçados do planeta. Por causa de sua pele permeável, eles são extremamente sensíveis a mudanças no ambiente e à contaminação por poluentes, principalmente no meio aquático. Cerca de metade das 7 mil espécies conhecidas são consideradas ameaçadas de extinção, e é possível que muitas delas já estejam extintas. Mais de 250, por exemplo, não são vistas na natureza há pelo menos 15 anos. Mas será que estão extintas mesmo, ou sobrevivem ainda, em pequeno número, escondidas em algum cantinho remoto do planeta? Bem, só há uma maneira de saber: botar o pé na lama, uma lanterna na cabeça, e sair procurando.

Foi o que fizeram algumas dezenas de cientistas no segundo semestre de 2010, percorrendo cinco continentes em busca de 100 espécies de sapos e salamandras que não eram vistas na natureza há pelo menos dez anos. Os resultados científicos do projeto, chamado Em Busca dos Sapos Perdidos, comissionado pela Conservação Internacional e pela IUCN, foram publicados em fevereiro de 2011, e os relatos de campo das expedições estão sendo publicados hoje, num livro escrito pelo biólogo que liderou a iniciativa, Robin Moore (In Search of Lost Frogs, Bloomsbury Natural History).

O site do projeto, que continua vivo, traz uma lista de 30 espécies que foram reencontradas desde 2008, dentre as 251 que não são (ou não eram) vistas desde a virada do século. A lista inclui 11 espécies brasileiras — todas elas, infelizmente, ainda na categoria das “perdidas”. “Temos de continuar procurando”, disse-me Moore. Concordo. O fato de algumas espécies serem reencontradas não significa que elas estejam salvas da extinção, mas é uma esperança. É uma sensação semelhante à que tenho em relação às tribos de índios isolados da Amazônia: é provável que nunca tenhamos muito contato com eles, e provavelmente é melhor assim (pois é a melhor maneira de protegê-los), mas é bom saber que eles continuam lá.

Imagine só!

Gostou? Compartilhe! Siga o blog no Twitter: @hertonescobar; e Facebook: http://goo.gl/3wio5m

 

Foto: Sapos dourados do Panamá. Crédito: Robin Moore