Espreme que passa! … Nova técnica do MIT para colocar moléculas dentro de células

Herton Escobar

23 Janeiro 2013 | 18h54

Imagine só: Como é que você faria para introduzir uma molécula (por exemplo, uma proteína, uma nanopartícula, um gene ou outro pedaço de DNA ou RNA qualquer) numa célula? Não dá simplesmente para dar uma injeção … O que é um problema nada trivial para pesquisadores que trabalham com biologia celular e molecular.

As membranas celulares são estruturas cheias de portos de entrada e saída, porém bastante seletivas. Funcionam como os muros de uma fortaleza biológica, que só abre seus “portões”  para aqueles que têm senha para entrar ou sair. Quem chega lá de gaiato, sem ter o nome na lista, não entra.

A não ser que você seja, talvez, uma molécula muito pequenina, capaz de se esgueirar pelos portões sem incomodar ninguém, ou um desses vírus malandrinhos, que usam métodos furtivos para vencer os sistemas de segurança, invadir a fortaleza, penetrar no núcleo, inserir seus genes lá dentro e transformar a célula numa fábrica de clones dele mesmo. Razão pela qual pesquisadores utilizam vetores virais “desarmados” para introduzir genes em células, para fins de terapia gênica ou para produção de células-tronco de pluripotência induzida (iPS), por exemplo.

Há várias estratégias para introduzir moléculas em células no laboratório — por exemplo, dar um choque elétrico nas células para abrir brechas em suas membranas — mas todas elas têm lá os seus problemas e efeitos colaterais.

Agora, cientistas do Massachusetts Institute of Technology (MIT) dizem ter desenvolvido uma nova técnica que abre buracos temporários na membrana celular sem danificá-la. Como demonstra o vídeo abaixo, ela consiste em espremer a célula por um canal com diâmetro até 80% menor do que o dela e, ao mesmo tempo, enquanto ela está lá espremida, colocá-la em contato com as moléculas que se deseja “contrabandear” para o seu interior. Na hora do aperto, os buracos se abrem, as moléculas entram, depois os buracos se fecham, e tudo volta supostamente ao normal.

A técnica, descrita na última edição da revista PNAS, foi testada com sucesso, segundo os pesquisadores, em vários tipos de células humanas e murinas (de camundongos), e já foi usada para produzir várias linhagens de células iPS “com uma taxa de sucesso 10 a 100 vezes melhor do que pelos métodos atuais disponíveis”. Mais informações neste press release do MIT. Imagine só!