Estudo explica porque as revistas nos consultórios médicos são sempre velhas

Estudo explica porque as revistas nos consultórios médicos são sempre velhas

Herton Escobar

31 Dezembro 2014 | 10h00

revistas

Já reparou como a maioria das revistas disponíveis para leitura em salas de espera de consultórios médicos são velhas? Por que será? Cansado de ler notícias com prazo de validade vencido, um médico neozelandês chamado Bruce Arroll, da Universidade de Auckland, resolveu fazer um experimento “científico” para solucionar esse enigma que deixa pacientes sem smartphone entediados à espera de consultas mundo afora.

O experimento se deu da seguinte forma: Os pesquisadores colocaram três pilhas de revistas num consultório médico de Auckland e acompanharam o que aconteceu com cada uma delas ao longo de um mês. Eram 87 publicações ao todo, incluindo desde as clássicas revistas de fofocas (que os autores preferiram não nomear, por “medo de serem processados”) até revistas sérias de notícias e leitura, como Time, The Economist e National Geographic. Cerca de metade delas tinha menos de 2 meses e a outra metade, entre 3 e 12 meses de idade.

Autor faz questão de dizer que só lê revistas de fofocas para “fins científicos”

Os pesquisadores queriam saber se as revistas nos consultórios são velhas porque os médicos são mesquinhos e só levam suas revistas velhas de casa para lá, ou se o problema é que as revistas novas desaparecem misteriosamente por algum motivo.

A segunda hipótese foi a que vingou. Quase metade das revistas “desapareceu” no prazo de 31 dias. E adivinhem quais foram as que sumiram primeiro: as de fofoca e as mais novas, obviamente. No final, sobraram apenas as revistas mais antigas e de notícias, que ninguém aparentemente se interessou em levar pra casa.

A contabilidade final foi a seguinte: Das 87 revistas iniciais, 41 “desapareceram” (foram furtadas pelos pacientes). Das 27 revistas de fofocas, restou apenas uma. Das 19 revistas de notícias (4 Time e 15 The Economist), restaram todas, independentemente de serem novas ou velhas.

Brincadeira de fim de ano

O estudo fui publicado na edição de Natal do British Medical Journal (BMJ), uma das revistas científicas mais conceituadas da área médica — mas que, tradicionalmente, nessa edição especial de fim de ano, publica estudos absurdos e engraçados, para descontrair. O trabalho é escrito de forma bem humorística, cheio de piadinhas e ironias. Parece até uma brincadeira, mas o estudo foi de fato publicado (inclusive com uma correção): http://www.bmj.com/content/349/bmj.g7262

“Um novo estudo deveria ser realizado para examinar os efeitos sobre as recepcionistas de uma sala de espera sem revistas de fofocas. Infelizmente, não conhecemos nenhuma clínica disposta a participar nesse tipo de pesquisa”, dizem os pesquisadores.

No item final, sobre conflitos de interesses, o autor principal, Bruce Arroll, admite que é assinante da revista The Economist e que espera ser presenteado com uma assinatura grátis vitalícia após a publicação do estudo. Já o colaborador Stowe Alrutz, aluno de doutorado do grupo, faz questão de dizer que lê revistas de fofocas na fila do supermercado para “fins de pesquisa” apenas.

Dessa forma, dou adeus a 2014 com essa pitada de bom humor, para retornar ao trabalho sério em 2015 com as baterias recarregadas.

Abraços a todos, obrigado pela leitura do blog, e feliz ano novo.

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