Estudo revolucionário sobre células-tronco é investigado no Japão

Estudo revolucionário sobre células-tronco é investigado no Japão

Herton Escobar

17 Fevereiro 2014 | 18h10

FOTO: Embrião de camundongo gerado com células STAP. A cor verde é resultado de uma proteína fluorescente que os cientistas utilizam como marcador, para identificar as células que foram reprogramadas em laboratório. Crédito: Haruko Obokata

Herton Escobar / O Estado de S. Paulo

Post atualizado às 19h15

Os resultados de um trabalho potencialmente revolucionário para o avanço da medicina regenerativa estão sendo investigados pelo centro de pesquisas RIKEN, no Japão, onde a pesquisa foi realizada. A credibilidade do estudo das chamadas “células STAP” vem sendo questionada por pesquisadores na internet, que apontam erros nas imagens e nos resultados da pesquisa, publicada há menos de um mês na revista Nature — que publicou hoje uma notícia sobre a investigação: Acid-bath stem-cell study under investigation

O estudo, liderado pela bióloga Haruko Obokata, apresenta uma nova técnica, segundo a qual seria possível reverter células adultas do organismo a um estado de pluripotência, equivalente ao das células-tronco embrionárias (ou de pluripotência induzida), de uma maneira simples e segura: apenas colocando-as num meio de cultura ácido, sem a necessidade de manipulação genética. O estudo teve grande repercussão mundial, por conta de suas implicações para o avanço das pesquisas com células-tronco, voltadas para o estudo de doenças e regeneração de tecidos.

Mas informações sobre a pesquisa neste link: http://blogs.estadao.com.br/herton-escobar/celulas-stap/

É importante ressaltar que o fato de a pesquisa estar sendo investigada — e mesmo que ela contenha erros — não significa que o estudo seja uma fraude ou que a técnica seja inválida. As informações inicias relatadas pela reportagem da Nature, porém, são preocupantes. Vários pesquisadores de outras instituições disseram que tentaram replicar os resultados de Obokata e não conseguiram. A própria Obokata está em silêncio: foi procurada para comentário, mas não respondeu.

Um dos co-autores do trabalho, Charles Vacanti, da Faculdade de Medicina de Harvard, disse que já entrou em contato com a revista para solicitar uma correção do trabalho, referente a problemas em uma das imagens do trabalho. “Parece certamente ter sido um erro honesto, que não afeta os dados, as conclusões ou qualquer outro componente do trabalho”, disse ele ao jornalista David Cyranoski, autor da reportagem.

O grupo editorial da Nature informou que também está investigando o caso.

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Polêmicas em série. Ainda que as conclusões do trabalho estejam corretas, o fato de a credibilidade do trabalho estar sendo investigada é mais um golpe contra a imagem das pesquisas com células-tronco pluripotentes, já manchada nos últimos anos pelas fraudes do pesquisador coreano Hwang Woo-suk (que forjou dois trabalhos sobre reprogramação e clonagem de células-tronco embrionárias humanas) e pelos erros cometidos no trabalho de Shoukhrat Mitalipov (que precisou corrigir oficialmente alguns detalhes de seu trabalho sobre o mesmo tema na revista Cell: http://www.cell.com/fulltext/S0092-8674(13)00824-6).

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Numa notícia relacionada, Hwang Woo-suk, obteve o registro de uma patente nos EUA sobre a técnica de produção de células-tronco embrionárias clonadas que ele teria usado para produzir os resultados de seus trabalhos falsos dez anos atrás. O caso foi noticiado na sexta-feira pelo jornal The New York Times, após notícias publicadas pela imprensa coreana.

Hwang caiu em desgraça na comunidade científica e acadêmica em geral, mas continua famoso e admirado por muitos na Coreia do Sul. Ele agora dirige um centro de pesquisas em biotecnologia, chamado Sooam Biotech Research Foundation, que tem como uma de suas atividades principais a clonagem de cachorros. Segundo vários relatos publicados recentemente, está muito feliz da vida; obrigado.

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